Acabou chorare. A música brasileira perde um de seus ícones, o eterno novo baiano Moraes Moreira.

Vítima de um infarto agudo no miocárdio, o cantor e compositor baiano Moraes Moreira faleceu nesta segunda-feira (13), aos 72 anos. Ele estava em sua casa na Gávea, Rio de Janeiro, onde morava sozinho. Segundo a família, Moraes Moreira estava bem de saúde, mas foi encontrado já sem vida, por sua diarista.

Afim de evitar aglomerações, devido a pandemia causada pelo novo coronavírus, não serão divulgadas informações sobre o velório e o enterro.

Moraes Moreira fez parte do Novos Baianos ao lado de Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Luiz Galvão e Paulinho Boca de Cantor. O icônico grupo fez um imenso sucesso no Brasil na década de 70 e marcou gerações. Mas em 1975, Moreira seguiu carreira solo, lançando então mais de 20 discos.

Assim como todos nós, ele estava recluso em casa, seguindo as orientações de isolamento social. Durante este período, estava compondo e escrevendo. Foi então que escreveu um cordel chamado “Quarentena”, e esse foi o seu último post no Instagram:

“O que vale é o ser humano
E sua dignidade
Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade,
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não tem tempo, nem idade”

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Oi pessoal estou aqui na Gávea entre minha casa e escritório que ficam próximos,cumprindo minha quarentena,tocando e escrevendo sem parar. Este Cordel nasceu na madrugada do dia 17, envio para apreciação de vocês .Boa sorte Quarentena (Moraes Moreira) Eu temo o coronavirus E zelo por minha vida Mas tenho medo de tiros Também de bala perdida, A nossa fé é vacina O professor que me ensina Será minha própria lida Assombra-me a pandemia Que agora domina o mundo Mas tenho uma garantia Não sou nenhum vagabundo, Porque todo cidadão Merece mas atenção O sentimento é profundo Eu não queria essa praga Que não é mais do Egito Não quero que ela traga O mal que sempre eu evito, Os males não são eternos Pois os recursos modernos Estão aí, acredito De quem será esse lucro Ou mesmo a teoria? Detesto falar de estrupo Eu gosto é de poesia, Mas creio na consciência E digo não a todo dia Eu tenho medo do excesso Que seja em qualquer sentido Mas também do retrocesso Que por aí escondido, As vezes é o que notamos Passar o que já passamos Jamais será esquecido Até aceito a polícia Mas quando muda de letra E se transforma em milícia Odeio essa mutreta, Pra combater o que alarma Só tenho mesmo uma arma Que é a minha caneta Com tanta coisa inda cismo…. Estão na ordem do dia Eu digo não ao machismo Também a misoginia, Tem outros que eu não aceito É o tal do preconceito E as sombras da hipocrisia As coisas já forem postas Mas prevalecem os relés Queremos sim ter respostas Sobre as nossas Marielles, Em meio a um mundo efêmero Não é só questão de gênero Nem de homens ou mulheres O que vale é o ser humano E sua dignidade Vivemos num mundo insano Queremos mais liberdade, Pra que tudo isso mude Certeza, ninguém se ilude Não tem tempo,nem.idade

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