Modelos esbeltos, com seus vinte pouco anos, com corpos definidos e muito photoshop. Ainda pode ser fácil encontrar campanhas de roupas e cosméticos que vendam seus produtos assim, mas, a cada temporada que passa, a associação antes instantânea entre moda e juventude fica menos evidente. Vemos, assim, uma revolução na forma como a indústria lida com a idade. Para se referir a este fenômeno, o têm-se usado a expressão movimento ageless.

O que é movimento ageless?

Essa virada do ageless faz parte de um processo maior de pressão das redes sociais, que têm forçado as marcas a darem maior representatividade a grupos antes estigmatizados, seja por cor, orientação sexual, gênero ou mesmo por anos de vida. Ao mesmo tempo, não faltam exemplos de pioneiros que provaram que não existe prazo de validade para ter estilo.

Estilo até os 100: sim, é possível

You can shop my personal stuff from 12th til 21st of May at @landmarkhk

A post shared by Iris Apfel Official ?? (@iris.apfel) on

Basta olhar, por exemplo, o casal de nova-iorquinos Iris e Carl Apfel. A relação entre os dois foi muito bem mostrada no documentário Iris (2014). Designer de interiores, Iris consolidou-se aos poucos como referência de moda, aos poucos, chegando ao “estrelato” depois dos 80. A sua vasta coleção de roupas e acessórios, que mesclam itens de grifes como Dior e Saint Laurent com peças garimpadas em lojinhas do Harlem, virou até exposição de museu. O seu marido não ficava atrás, esbanjando disposição e estilo aos 100 anos de idade. Mesmo após a morte do companheiro, em 2015, Iris, agora com 96 anos, continua com sua rotina de eventos e entrevistas.

A virada das modelos septagenárias

Mas se você acha que os fashionistas Iris e Carl são exceção, basta dar uma olhada em algumas campanhas publicitárias recentes: gigante dos cosméticos nos Estados Unidos, a Covergirl anunciou, neste mês, a modelo Maye Musk, de 69 anos, como sua nova garota-propaganda. Um dos contratos mais cobiçados da indústria, o acordo com a Covergirl é apenas mais uma das várias conquistas de Maye, que possui dois diplomas de mestrado e é mãe de Elon Musk, bilionário fundador do PayPal.

Sneak peek to our October issue ? È sempre oggi ? on Newsstands tomorrow October 5th? The legendary Lauren Hutton ?? in Valentino @maisonvalentino by Steven Klein @stevenkleinstudio styled by Patti Wilson @patti_wilson ? #TheTimelessIssue #TimelessVogueItalia ? Exclusively today on @WWD Editor in chief @efarneti Creative director @gb65 ✨✨ Casting @pg_dmcasting @samuel_ellis Models Lauren Hutton and Diego Villarreal @ddiegovillarreal @ Soul Artist Management Hair Ward @ward_hair @ The Wall Group. Hair pieces Helena Collection Wigs @helenawigs Make-up Kabuki @kabukinyc @ (www.kabukimagic.com) Manicure Yuko Tsuchihashi @yukotsuchihashi @ Susan Price NYC Set designer Stefan Beckman @stefanbeckman @ Exposure NY on set Viewfinders✨✨✨

A post shared by Vogue Italia (@vogueitalia) on

Outras modelos da mesma geração de Maye têm voltado ao batente: aos 73 anos, a americana Lauren Hutton tornou-se a modelo mais velha a ser capa da “Vogue”. Um novo recorde para a estrela, que já possuia 40 capas da publicação, distribuídas entre os diversos países onde a revista atua. A “Vogue Italia“, para qual Lauren posou, aliás, fez toda uma edição dedicada a mulheres com mais de 60 anos. Da mesma forma, musa de Yves Saint Laurent, a alemã Veruschka, de 78 anos, estrelou uma campanha recente para a Acne Studios, marca sueca que é conhecida por seu apelo cool.

Ageless no Brasil e lá fora

Aqui no Brasil, também há sinais de mudança. Na útima edição da SPFW, três desfiles tiveram modelos idosos. Nesse aspecto, o mais impactante de todos foi o de Ronaldo Fraga, que trouxe homens e mulheres de diferentes idades, tendo em comum apenas a disposição para desfilar sob o sol de São Paulo. Outro exemplo de vitalidade, o modelo Jorge Gelati, de 52 anos, continua trabalhando e vendendo muita calça jeans graças aos seus famosos cabelos grisalhos.

Enquanto isso, toda a geração de supermodelos dos anos 90 envelhece sem jamais ter ido embora dos holofotes: Cindy Crawford, Naomi Campbell e Kate Moss chegam à meia-idade sem terem deixado de trabalhar e de abrirem mão do estrelato. No último desfile da Versace, Donatella Versace fez questão de homenagear esta geração, ao mesmo tempo em que abria espaço para jovens como a própria filha de Cindy, Kaia Gerber. Uma grande celebração do legado de Gianni Versace, o irmão da estilista que fundou a marca, o desfile também fez lembrar que moda também é herança.

Moments before the iconic finale of the #VersaceSS18 show with Gianni’s muses. #VersaceTribute

A post shared by VERSACE (@versace_official) on

Assim, no lugar de uma geração que ultrapassa a outra, o momento atual parece sugerir um diálogo entre indivíduos de diferentes faixas etárias. O apelo do novo, seja nos corpos dos modelos ou nas tendências, talvez nunca deixe de existir. Mas também é preciso lembrar da beleza que existe na experiência e na importância de se construir um legado. No fim das contas, mais importante do que a diferença entre décadas, importante é se sentir livre para expressar a sua individualidade. E, para isso, a moda sempre será aliada.

Você já conhecia o movimento ageless? Conhece alguma campanha? Manda pra gente nos comentários!

Você também vai gostar: