Também conhecida como consumo colaborativo ou economia compartilhada, a economia colaborativa está ganhando cada vez mais espaço nas nossas vidas, e muitas vezes nem nos damos conta.

Talvez, você esteja pensando “será que eu uso isso?”, e eu estou aqui para te dizer que sim, e explicar que a tendência é usar cada vez mais.

Na economia colaborativa, ter acesso é mais importante do que ter posse. É um modelo de consumo sustentável e econômico, que diferente da economia tradicional, não visa a posse, mas sim o compartilhamento de bens e serviços. Essa partilha é feita através de empréstimos, alugueis e até mesmo em trocas de serviço e conhecimento.

O que é economia colaborativa?

Bateu curiosidade para entender melhor e saber como você já usufrui da economia compartilhada? Então acompanhe que vou te explicar tudo!

Afinal, o que é economia colaborativa?

De acordo com José Vignoli, educador financeiro do portal Meu Bolso Feliz, a economia colaborativa transforma os valores:

O objetivo é dar utilidade às coisas. Trata-se de uma mudança de paradigma em que o verbo ‘possuir’ é substituído pelo verbo ’compartilhar’. Assim, ao invés de simplesmente adquirir, a pessoa escolhe desfrutar de um produto ou serviço de forma coletiva. É como se a pessoa se perguntasse: será que eu preciso mesmo de um carro na garagem e de todos os custos associados a esse bem ou meu objetivo real é apenas me deslocar rapidamente pela cidade de forma barata?”.

Essa é uma questão que nos deixa refletindo, não é mesmo? E se pararmos para pensar, existem diversos outros itens que possuímos, além do carro, que também podem ter seus valores transformados.

Além de trazer economia, o consumo colaborativo é sustentável, porque vai contra o consumo desenfreado que desgasta os recursos naturais, faz uso de trabalho escravo em muitos casos, e ainda tem uma alta demanda de descarte.

A TIME Magazine, em 2011, nomeou a economia colaborativa como uma das 10 ideias que vão mudar o mundo, e antes da pandemia de coronavirus, de acordo com Steve Barr, especialista de mercado de consumo da consultoria PwC, havia uma previsão de que a economia compartilhada gerasse US$ 335 bilhões até 2025. Porém, com a crise, o setor pode passar por dificuldades.

Rachel Botsman, autora best-seller sobre o tema, explica em uma palestra no TED, como os nossos comportamentos mudaram de geração para geração, e como tende a mudar ainda mais, influenciando o mercado:

Quando e como surgiu a economia colaborativa?

Se pararmos para pensar, a economia colaborativa existe há muitos anos, apenas não era chamada por esse nome. Brechós, aluguel de imóveis para temporada e aluguel de carros, por exemplo, são serviços que existem há muito tempo.

Porém, foi com a crise econômica de 2008 que a economia compartilhada teve um boom de novas ideias no setor. Isto porque, devido as dificuldades, os mercados precisaram inovar.

Modelos de economia colaborativa

Dentro do consumo colaborativo existe uma infinidade de possibilidades. Agora vou te explicar os três modelos de economia colaborativa para você entender ainda melhor:

  1. Reaproveitamento

Quando você possui algum produto usado, mas que ainda esteja em bom estado, e passa ele adiante, para que outras pessoas usem. Pode ser desde de roupas a eletrônicos, por exemplo. E uma ótima maneira de estimular o reaproveitamento é usando a mediação de brechós para te conectar com quem precisa do que você está oferecendo.

  1. Compartilhamento de habilidades

Quando você tem uma habilidade muito boa, como saber falar um outro idioma, tocar um instrumento ou cozinhar muito bem, por exemplo, você pode usar como troca por alguma coisa que você precisa.

Você pode, por exemplo, negociar aulas de dança, e em troca ensinar a pessoa a falar inglês.

  1. Produtos e serviços

O modelo de consumo colaborativo mais comum, que é quando algum bem de consumo ou serviço é compartilhado, como carro, casa, equipamentos, etc.

Você sabe o que é Economia Compartilhada?

Exemplos de negócios da economia colaborativa

Como uma modalidade que só tende a crescer, a economia compartilhada conta com diversos cases de sucesso.

Exemplos de negócios da economia colaborativa

Confira alguns deles:

  • Airbnb: a plataforma conecta pessoas que querem se hospedar em um determinado local, à anfitriões que disponibilizam de um imóvel inteiro, ou parte dele. Uma das propostas do Airbnb é que as pessoas vivam uma experiencia diferente, se sentindo verdadeiramente em casa enquanto viajam, e não apenas em uma hospedagem;
  • Benfeitoria: possibilita o financiamento coletivo de pessoas interessadas em projetos em comum;
  • Counchsurfing: outra plataforma de hospedagem, mas aqui o viajante encontra anfitriões que estão dispostos a ceder “o sofá de suas casas” de graça. O que recebem como “pagamento” é o contato com diferentes culturas e costumes, podem aprender novas habilidades e fazem novas amizades;
  • Coworkings: também conhecido como cotrabalho, são espaços e recursos de escritórios compartilhados com pessoas e empresas, que não necessariamente trabalham juntas;
  • DogHero: aqui, donos de pets encontram diferentes serviços para eles, como hospedagem, creche, pet sitter, dog walker (passeio) e veterinário em casa, em uma única plataforma. Com a DogHero, que é brasileira, os donos se conectam com cuidadores e especialistas;
  • Enjoei: o brechó on-line brasileiro mais popular, em que pessoas podem abrir suas próprias lojas, colocando à venda produtos que querem desapegar, se conectando com pessoas que os desejam;
  • Tem Açúcar?: plataforma brasileira que facilita o compartilhamento de coisas entre vizinhos. Assim, você pode emprestar e pegar emprestado algo que precisa, mas não tem;
  • Uber: a Uber é um grande sucesso de consumo compartilhado, conectando motoristas particulares a passageiros, com valores acessíveis.

Economia colaborativa no Brasil

Um levantamento feito pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas – CNDL e pelo Serviço de Proteção ao Crédito – SPC Brasil, em todas as capitais do país, aponta o comportamento dos brasileiros em relação a economia compartilhada.

Segundo a pesquisa, 89% dos brasileiros já experimentaram alguma modalidade de consumo colaborativo e aprovaram a experiência, e 87% acreditam que a economia compartilhada está ganhando cada vez mais espaço.

Entre as modalidades, transporte compartilhado (41%), aluguel de imóveis para temporadas (31%) e aluguel ou compartilhamentos de roupas (33%), são as mais usadas.

Para os brasileiros, desconfiança ainda é um obstáculo para a economia colaborativa no país. Entre as pessoas entrevistadas, 51% relataram não confiar nas pessoas e 43% delas mencionaram o perigo de lidar com estranhos.

Confiança, a moeda da economia compartilhada

Um outro ponto primordial da economia compartilhada é a experiência do cliente, que cada vez mais busca um propósito em tudo o que consome, e por isso precisa sentir confiança no produto/ serviço.

Sempre que você vai pegar um Uber, ou alugar uma casa no Airbnb, ou qualquer tipo desses serviços, tenho certeza de que você sente mais segurança quando vê uma boa nota e avaliação a respeito do serviço, né?

As notas e avaliações realmente nos influenciam na hora de tomar decisões. Eu mesma já olhei hospedagens aparentemente incríveis no Airbnb, mas deixei pra lá porque não tinham avaliações, e achei melhor não arriscar.

Segundo a Raquel Botsman, a confiança se tornou a principal moeda da economia colaborativa. “A reputação é a medida de quanto uma comunidade confia em você”, afirma em uma outra palestra no TED. Confira:

Quais são os benefícios da economia compartilhada?

Entre os benefícios da economia colaborativa, estão:

  • Diminuição de produção de bens, reduzindo assim os impactos ambientais negativos;
  • Fortalecimento das comunidades;
  • Democratização ao acesso a bens que nem todas as pessoas podem comprar;
  • Serviço com qualidade superior e mais humanizado.

Por fim, as vantagens da economia colaborativa são muitas e de fato, ela veio para ficar.

Agora conta aqui nos comentários se você é uma pessoa que usa muito ou pouco, e quais foram as suas experiências com economia compartilhada?

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