Você já parou para pensar que talvez use expressões racistas no dia a dia sem perceber? Pois é! Ainda bem que a sociedade está mudando. É verdade que ainda falta um bom caminho, mas chegaremos lá.

Acontece que devido a tantos anos usando expressões que passam de geração para geração, acabamos reproduzindo o que ouvimos sem refletir sobre o que essas expressões querem dizer.

Na lista a seguir, falaremos sobre dez expressões racistas que podem perfeitamente serem tiras do seu vocabulário e ganharem um novo significado, sem perder o que quer dizer e mantendo o respeito pelo próximo.

Veja então quais são as expressões racistas e porque devemos abandoná-las:

1) Mulata

A palavra mulata vem de mula, o animal que nasce do cruzamento entre o burro e a égua. Durante a escravidão, muitas mulheres negras eram abusadas sexualmente pelos seus patrões e acabavam engravidando deles, então os filhos dessas relações eram chamados de mulatos, referindo-se ao cruzamento de um homem branco com uma mulher negra.

Atualmente, a expressão mulata é utilizada como referência às pessoas pardas. Agora que você já sabe de onde vem o termo mulata, não use mais!

2) Denegrir

Segundo o dicionário, a definição de denegrir é: “fazer ficar mais negro; tornar escuro”, e no dia a dia é comum ouvirmos esta palavra para expressar uma difamação, como por exemplo “você está denegrindo a minha imagem”.

Por tanto, saiba que usar a palavra denegrir de forma pejorativa é uma atitude racista que você pode mudar facilmente, ressignificando o termo de denegrir para difamar.

3) Lista negra, mercado negro, ovelha negra…

Aqui temos um “combo”, digamos assim, se expressões racistas que usamos sem perceber:

  • Fulano entrou para minha lista negra e não será convidado para a minha festa
  • Vou ver se encontro no mercado negro que com certeza é mais barato
  • Nunca obedeci aos meus pais, sempre fui a ovelha negra da família

Em todos os exemplos acima e em qualquer outra frase em que esses termos se encontrem, o negro aparece de forma negativa, para “justificar” o que é excludente, perigoso, ilegal, clandestino, diferente…
Percebe o quanto é pejorativo? Então, são mais expressões racistas para você se reeducar e não usar mais no seu vocabulário.

4) “Não sou tuas negas”

Durante a escravidão, os abusos às mulheres escravas eram (infelizmente) muito comuns, dentre estupros, agressões e todo tipo de assédio. Por outro lado, as mulheres brancas recebiam um tratamento de respeito.

Com isso, socialmente a frase “não sou tuas negas” se referia a dar o tratamento que quisesse a uma mulher, assim como faziam com as escravas. Por isso essa é uma expressão extremamente racistas e machistas também! Se a sua intenção com ela é impor respeito, diga “eu sou uma mulher e mereço ser respeitada!”. Bem melhor, não acha?

5) “Da cor do pecado”

Esta expressão se tornou tão comum (e sem reflexão) no nosso vocabulário, que até novela com esse nome já teve! “Da cor do pecado” era usado como forma de elogio para uma pessoa negra, porém, de elogio não tem nada.

Antigamente, ser negro era considerado pecado e por isso, os poderosos homens brancos junto com a igreja católica justificaram a escravidão como uma punição divina! Então reflita por alguns segundos, como dizer que uma pessoa tem a cor do pecado pode ser um elogio?

6) Criado mudo

Você pode pensar que este é o nome de um móvel e que não tem nada de racista nisso. Mas sinto te dizer que tem sim, e que mais uma vez, durante anos e anos usamos o termo no nosso dia a dia sem saber ao que realmente ele se refere.

Criado mudo era o nome dado aos escravos que trabalhavam dentro da casa dos senhores brancos em que a função era segurar as coisas de seus “donos”. Como eles não podiam fazer nenhum barulho, eram considerados como mudos, logo a expressão criado mudo se refere a eles.

Quando você for se referir ao móvel, ressignifique chamando de mesa de canto ou mesa de cabeceira.

E olha que legal, algumas lojas de móveis começaram um movimento para abolir o uso do termo “criado mudo” para passar a usar “mesa de cabeceira”.

Veja o vídeo dessa campanha feita pela Etna.

E outras empresas juntaram-se a essa causa, como a Leroy Merlin, Etna e TokStok.

Empresas contra o uso do termo criado mudo

7) Doméstica

Durante a escravidão, as mulheres negras que trabalhavam dentro das casas das famílias brancas eram chamadas de domésticas. Isso porque às consideravam domesticadas, tal qual um animal doméstico que você cria dentro de casa!

Assim os negros eram vistos, como animais, e era através da tortura e de agressões que eles eram “domesticados”. Por tanto, àquela pessoa que toma conta de todos os afazeres do seu lar, deve receber um outro tratamento.

8) “A coisa tá preta”

Quando as coisas não vão bem, é comum aparecer a expressão “a coisa tá preta” para justificar o que está ruim, ou seja, a palavra preta está substituindo a palavra feia de forma pejorativa. Percebe aqui, como a troca simples de uma palavra mantém o sentido da expressão, e ela deixa de ser racista? Então dizer “a coisa tá feia” fica bem melhor, né?

9) Humor negro

Toda vez que aparece aquele humor pesado e sem noção, que busca graça diminuindo ou desmerecendo algo ou alguém, é considerado o famoso “humor negro”. E por que? Justamente por ser desconfortável, ou seja, com uma conotação ruim, mais uma vez.

Para deixar de lado essa expressão racista, adote o humor ácido ou mórbido no seu vocabulário.

10) Inveja branca

Tentando amenizar o peso negativo da inveja, criou-se a expressão inveja branca. E aqui, diferente de tudo o que vimos anteriormente, empregando o negro como algo pejorativo, o branco quer dar uma entonação boa até mesmo para um sentimento tão ruim, afinal, inveja é inveja e ponto.

Saiba que inveja não é bom, nem para quem sente e nem para quem é o alvo dela. É preciso aprender a sentir felicidade pelas conquistas das outras pessoas e se você não consegue fazer isso, dizer que está sentindo “aquela inveja branca” não muda o fato de que você precisa evoluir. E ah, precisa parar de usar esse termo também, porque ele é racista!

Falas que são racistas

É impressionante o tanto de coisa que dizemos sem perceber, apenas pelo fato de que algo tão horrível assim, ficou enraizado como comum em nossa sociedade, né?

Mas para mudarmos essa realidade, cada um pode fazer a sua parte. Como disse a filósofa Angela Davis: “Numa sociedade racista, não basta não ser racista. É necessário ser antirracista”.

Todos contra o racismo

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