Inúmeras manifestações começaram a surgir ao redor do mundo depois que um policial branco causou a morte do segurança negro, George Floyd, por asfixia, em Minneapolis, nos Estados Unidos.

Essa não foi a primeira vez em que uma abordagem da polícia resultou na morte de um afro-americano e levou milhares de pessoas às ruas. Nos últimos anos, as mortes de Oscar Grant, Trayvon Martin, Eric Garner, Breonna Taylor, entre muitas outras, entraram para as estatísticas e convocaram manifestações do movimento Black Lives Matter.

Muita gente tem procurado entender como a tensão nos Estados Unidos pode ter chegado a esse ponto, e a principal resposta está nas questões raciais. Para quem tem interesse em olhar para o tema mais de perto, listamos alguns filmes e séries sobre o racismo que podem servir como um bom ponto de partida.

Veja 8 filmes e séries sobre racismo estrutural, questões raciais e violência policial nos Estados Unidos.

Faça a coisa certa (1989)

Considerado um clássico do cinema, Faça a coisa certa ainda é relevante nos dias de hoje e não pode faltar em nenhuma lista de filmes sobre racismo e violência policial.

Produzido, roteirizado e dirigido por Spike Lee, o longa mostra a convivência tensa entre os moradores de Bedford-Stuyvesant, região do Brooklyn, em Nova Iorque, predominante habitada por negros e latinos, mas com pequena presença de imigrantes e brancos.

A história se passa durante o dia mais quente do verão, quando o ativista Buggin Out (Giancarlo Sposito), decide começar um boicote à pizzaria do italiano Sal (Danny Aiello), por ele se recusar a pendurar fotos de personalidades negras na parede junto às dos ídolos ítalo-americanos.

Com o passar do dia, as tensões raciais e culturais entre os personagens começam a chegar no limite, resultando em atos extremos.

Você pode assistir no Telecine Play e no Google Play Filmes.

A 13ª emenda (2017)

Essencial, esse é um documentário sobre racismo que ajuda a entender o sistema penitenciário americano e as consequências diretas que a escravidão tem na vida dos afro-americanos até hoje.

O nome do documentário faz menção à 13ª emenda à constituição americana, que aboliu a escravidão e o trabalho forçado, exceto como punição de crime. A cineasta Ava DuVernay parte desse ponto para mostrar como o encarceramento em massa do povo negro se mostrou como uma alternativa para a manutenção do trabalho braçal gratuito após o fim da escravidão.

Ava usa registros históricos e entrevistas com estudiosos e ativistas como Angela Davis para contar como o sistema opressor se mantém desde então, passando pela criação da Klu Klux Klan, pelos linchamentos, segregação racial, a guerra às drogas nos anos 80 e a brutalidade policial que resultou na criação do movimento Black Lives Matter.

Disponível na Netflix.

Corra! (2017)

Corra! é um filme sobre racismo estrutural que aborda a estereotipagem e a fetichização do negro de forma inédita no cinema, graças ao seu roteiro brilhante e ao uso inteligente dos gêneros suspense e terror.

Chris (Daniel Kaluuya), um fotógrafo negro, vai passar o fim de semana na casa da família da namorada branca, Rose (Allison Williams). Ao chegar, ele nota que os pais de Rose, o neurocirurgião Dean (Bradley Whitford) e a hipnoterapeuta Missy (Catherine Keener), se mostram extremamente acolhedores e um pouco nervosos ao tentarem lidar com o relacionamento interracial da filha.

Conforme o fim de semana passa, aos poucos, Chris começa a presenciar uma série de acontecimentos estranhos que o levam a uma descoberta bizarra e perturbadora.

Escolhido como um dos melhores filmes da última década, Corra! deu o Oscar de roteiro original a Jordan Peele, que também dirige o longa.

Você pode ver na Netflix até 15/06/2020 e Google Play Filmes.

Selma: Uma luta por igualdade (2014)

O filme se passa em 1965 e mostra a campanha de Martin Luther King Jr. (David Oyelowo) e seus seguidores em uma marcha épica, que foi de Selma a Montgomery, no Alabama, para garantir o direito de voto dos afro-americanos.

A marcha de Selma foi um evento que expôs em rede nacional as injustiças e a violência que os negros sofriam ao não terem o direito de votar, ao serem marginalizados por grande parte da população branca e pelas constantes brutalidades cometidas pela polícia.

Além de mostrar a luta do ícone pacifista Martin Luther King Jr., Selma também é um filme sobre segregação racial que mostra todas as feridas expostas durante esse período.

O longa concorreu ao Oscar de melhor filme e melhor canção original, vencendo apenas o segundo.

O filme está disponível no Google Play Filmes.

American Son (2019)

American Son é um filme sobre racismo da Netflix, baseado em uma peça da Broadway, que aborda de forma didática o relacionamento interracial, violência policial e racismo estrutural

No longa, Kendra (Kerry Washington) aguarda ansiosamente em uma delegacia de polícia, enquanto tenta ter notícias do filho Jamal, um dedicado estudante negro, que está desaparecido depois de sair com amigos.

Enquanto espera pela chegada do marido Scott (Steven Pasquale), um agente branco do FBI, Kendra é entrevistada pelo policial Paul (Jeremy Jordan), que faz perguntas baseadas em estereótipos racistas dos jovens afro-americanos.

Com o passar do tempo, a falta de respostas, o descaso e a tensão racial entre os personagens vão crescendo, ao mesmo tempo em que o policial se esforça para encobrir a verdade sobre o paradeiro de Jamal.

Você pode ver American Son na Netflix.

Olhos que condenam (2019)

Minissérie da Netflix baseada em fatos reais, conta a história de cinco garotos negros e latinos, com idade entre 14 e 16 anos, que foram acusados injustamente de estuprar uma mulher que praticava corrida no Central Park, em uma noite de 1989.

Forçados a confessar crimes que não cometeram, o quinteto, que ficou conhecido como “os cinco do Central Park”, é então julgado em um processo cheio de falhas. Uma delas é que o material genético encontrado no local não era compatível com nenhum dos jovens.

Graças à grande repercussão do caso, à pressão da mídia e da sociedade pela punição dos jovens, a justiça decide condená-los. A minissérie mostra a luta pela liberdade que se seguiu nos 13 anos que os jovens passaram na prisão, até serem inocentados em 2002.

Olhos que condenam é uma série premiada, criada e dirigida por Ava Duvernay, que mais uma vez nos faz refletir sobre as consequências do racismo estrutural.

Cara gente branca (2019)

Inspirada no filme de 2014, Cara gente branca é uma série da Netflix com três temporadas, que mostra a realidade de alunos negros na prestigiada universidade americana de Winchester, onde a maioria dos alunos é branca.

Apesar de não ser uma série da Netflix sobre racismo, ela gira em torno dos alunos lidando com tensões raciais e questões como blackface, hipersexualização do corpo negro e violência policial, enquanto buscam suas próprias identidades.

Os episódios são protagonizados por diversos personagens, entre eles Sam White (Logan Browning), quem cria o programa de rádio que dá nome à série.

Cara gente branca causou muita polêmica quando foi anunciada. Centenas de clientes cancelaram a assinatura por pensar que se tratava de uma série preconceituosa e que promovia o genocídio de pessoas brancas. Hoje, é uma das séries mais bem avaliadas da Netflix.

Fruitvale Station: A última parada (2014)

Baseado na história real de Oscar Grant (Michael B. Jordan), Fruitvale Station mostra o último dia da vida do jovem de 22 anos, que acaba sendo assassinado por um policial na estação de metrô Fruitvale. Fique tranquilo, essa cena aparece no começo do filme e não é um spoiler.

A partir daí, o filme volta no tempo e mostra Oscar acordando no dia 31 de dezembro de 2008 , quando decide pensar nas resoluções de ano novo: ser uma pessoa melhor para a mãe (Octavia Spencer), para a namorada Sophia (Melonie Diaz) e para sua filhinha Tatiana (Ariana Neal).

Ao longo do dia, ele percebe que as coisas não serão tão fáceis e nas primeiras horas do ano novo, depois de uma briga no metrô, seu destino muda para sempre.

Disponível no Amazon Prime, Globo Play.

E aí, o que achou da nossa lista de filmes e séries sobre racismo? Tem mais algum nome pra recomendar? Conta pra gente nos comentários.

Ah, e se quiser conhecer também algumas expressões racistas para tirar do seu vocabulário, confira neste post.