Em junho acontecem as paradas do orgulho LGBT em São Paulo e ao redor do mundo, além de outros movimentos voltados aos direitos da comunidade. Mas você sabe o porquê deste mês ser importante? Vem entender tudo com a gente!

A Parada do Orgulho LGBT é vista por muitas pessoas simplesmente como uma grande festa, como um carnaval fora de época. De fato, é uma festa maravilhosa, mas vai além disso. As paradas tem um viés político, e há anos é uma das maiores manifestações que as ruas já viram.

Embora grandes avanços tenham sido feitos na sociedade, a comunidade LGBTQIA+ é historicamente discriminada, e infelizmente, ainda estamos longe de um mundo livre da homofobia e igualitário, independente de gênero ou identidade de gênero.

Por isso, quanto mais entendermos as causas pelas quais a comunidade LGBTQIA+ reivindica, e conhecermos mais suas histórias, mais podemos contribuir na luta contra a homofobia. Acompanhe este post para entender e aprender mais sobre.

A descoberta da sexualidade

Primeiramente, gostaríamos de agradecer a Teka Balluthy, Belle Marques e o Renato, três vozes da comunidade LGBT+ que entrevistamos. Nosso muito obrigado por nos ajudarem na construção deste material.

Entrevista sobre homofobia

E vamos começar com seus depoimentos sobre a descoberta da sexualidade:

Teka Balluthy | @tekaballuthy

Sempre me percebi diferente das outras meninas em tudo, desde a escolha das roupas, até́ o modo de me comunicar. Não vi ninguém agindo assim ou fui influenciada de alguma forma, eu nasci assim, eu gostava dos meninos e das meninas (particularmente, sempre olhei mais para as meninas). Senti na pele que não era heterossexual quando me vi apaixonada por uma melhor amiga. Me via contando os segundos para encontrar com ela, o coração acelerava quando ela chegava perto, quando ela me abraçava então, era uma explosão de sentimentos! Havia uma conexão muito forte entre nós e eu não conseguia mais olhar pra ela apenas como uma amiga, sabe? Eu tinha mais ou menos 13 / 14 anos e era muito novo pra mim. Como ninguém falava a respeito eu me sentia totalmente assustada, como se aquilo fosse algo errado em mim e que eu precisava esconder. Lembro que nos afastamos e foi muito difícil pra mim, até́ hoje ela não sabe dos sentimentos que eu nutri por ela. Foi um alívio quando, mais pra frente, eu conheci um grupo de meninas que eram como eu.


Belle Marques | @belle.marquess

Desde criança eu já́ demonstrava sinais de bissexualidade, apesar de não saber o que era. Mas foi no ensino médio que eu descobri esse termo e comecei a me entender. Foi muito natural pra mim, em nenhum momento eu senti que estava “errada”, pelo contrário, quando me descobri bissexual, senti como se tudo fizesse sentido. E eu sei que sou muito privilegiada por contar com o apoio da minha família, que apesar do choque no primeiro momento, me aceitou e me acolheu da forma mais amorosa possível.”


Renato | @huunkydory

“Acredito que desde que comecei a me entender como um indivíduo social, nas primeiras vivencias escolares, eu percebia que não correspondia as expectativas que eram colocadas sobre mim. Eu queria ter brinquedos que me diziam não ser para mim, usar cores que não eram vistas como “de menino”, assistia a programas de televisão que minha mãe não aprovava e também gostava muito de dançar, o que meu pai não gostava. Eu me sentia sempre frustrado e triste por alguma coisa que eu não entendia, ao ficar mais velho isso foi se tornando uma revolta interna contra o que tentavam me impor.”


Afinal, o que é homofobia?

Todo mundo sabe que homofobia é crime, mas talvez poucas pessoas saibam o que esta palavra significa. Por definição, a palavra homofobia é formada pela junção de duas palavras: “Homo”, de origem grega, quer dizer igual, e “fobia” que também tem origem na Grécia e significa medo.

No entanto, no termo homofobia, o prefixo “homo” se refere ao radical da palavra “homossexualismo” (vamos falar mais abaixo dela). Com isso, de fato, a palavra define uma repulsa as pessoas homossexuais.

O termo foi usado pela primeira vez na década de 60, pelo psicólogo George Weinberg. Segundo a história, a ideia da palavra surgiu quando ele testemunhou aversões a uma amiga lésbica, em 1965.

A palavra homossexual, por sua vez, apareceu pela primeira vez na Alemanha, no século XIX. Karl-Maria Kertbeny foi o criador das palavras “heterossexual” e “homossexual”. Ele foi, talvez, o primeiro ativista a lutar contra o preconceito pela sexualidade das pessoas.

Motivado pelo suicídio de um amigo homossexual, que sofrera chantagens e preconceito, Kertbeny escreveu diversos textos sobre o tema. Em 1869, a palavra homossexual aparece em uma de suas obras, como uma parte de um sistema de classificação de tipos sexuais.

O que é ser homofóbico (a)?

Com o passar do tempo, diversas manifestações homofóbicas foram se tornando comuns socialmente, em formas de “piadas”, por exemplo. Com isso, muitas pessoas acham que não são preconceituosas, e que não discriminam ninguém por sua sexualidade. Mas, por outro lado, replicam frases como estas:

  • – “É lésbica pois não conheceu o homem certo”.
  • – “Pode ser gay, mas precisa ser escandaloso?”
  • – “Toda lésbica quer ser homem.”
  • – “Aceito gay, mas beijar perto de mim…”

Já percebeu que são frases homofóbicas, né?

O vídeo abaixo, chamado “É homofobia se…” traz uma reflexão sobre o assunto, e nos indaga a pensar realmente se não temos preconceitos por identidade de gênero e orientação sexual. Confira:

Também perguntamos a nosses entrevistades se já foram vítimas de preconceito:

Você̂ já́ sofreu homofobia? Como foi essa situação e o que sentiu?

Teka Belluthy: Já́ sofri homofobia algumas vezes e é sempre muito triste e revoltante. Às vezes, só́ enxergamos a homofobia em casos extremos, deixamos passar “piadas” e falas absurdas como: “você̂ fica com meninas porque ainda não encontrou o cara certo”, ou “que delicia, posso participar também?”. Não, não pode participar e a pessoa certa é a que está comigo. Precisamos parar de aceitar e engolir certas falas. Precisamos nos posicionar. Hoje queria falar de um caso que aconteceu comigo fora do Brasil. Estava no parque da Universal Studios em Orlando – Flórida , com a minha namorada (hoje uma grande amiga), estávamos radiantes e em determinado momento nos demos as mãos e em seguida eu ouvi atrás de mim um rapaz falando (em português): “Olha essa merda aí, olha isso! Que absurdo.”

Ouvi xingamentos e um discurso absurdo de ódio sobre estarmos de mãos dadas. Fiquei extremamente decepcionada de estar vivendo um momento mágico, num lugar mágico. Eu jamais esperaria sofrer preconceito fora do meu país por pessoas do meu próprio país.

Eu não consegui fazer nada a não ser respirar fundo e continuar de mãos dadas com a minha namorada. E é isso que devemos fazer! Não devemos soltar as nossas mãos.


Belle Marques: A gente acha que só pode chamar de homofobia quando é um caso de agressão física, mas não é assim que funciona. Os pequenos atos de violência do cotidiano machucam muito.

Os olhares tortos, os cochichos. Homens que se sentem no direito de encarar, ou então perguntam se podem “participar”, quando eu e minha namorada nos beijamos. Ou então pessoas que, simplesmente, insistem em nos chamarem de amigas, mesmo quando já nos apresentamos como namoradas, como se nossa relação não fosse válida.

Em vários momentos, me sinto violada. É muito cansativo viver assim.


Renato: Diversas vezes, desde a infância e adolescência com colegas que me ridicularizavam pelo meu jeito de andar, falar, gostos e amizades. Na minha família, pelos mesmos motivos.

Infelizmente isso ainda é muito corriqueiro. No início, você se sente envergonhado e querendo desaparecer do lugar, hesita em demonstrar afeto em público para não gerar situações desagradáveis. Porém, com o tempo você aprende a se impor e mostrar para os preconceituosos que você também é gente.


A visibilidade da comunidade LGBTQIA+ está cada vez sendo mais discutida na sociedade, de um modo geral. Mas nem sempre foi assim e a homofobia se faz presente ao longo do tempo.

Homofobia: um crime tão antigo quanto a própria história

Não existe uma data que determine “quando surgiu a homossexualidade”, afinal, por se tratar de um sentimento por uma outra pessoa, o amor existe deste que a humanidade existe.

Por outro lado, a homofobia, também presente historicamente na sociedade, tem uma data “oficial” registrada em lei. Durante o império mongol de Gengis Khan, no século XIII, data o primeiro código penal contra homossexuais, que previa a punição de morte para a prática de sodomia.

Durante o período nazista, as pessoas homossexuais também foram perseguidas. Elas eram levadas aos campos de concentração, e então identificadas com símbolos: homens gays eram identificados por um triângulo invertido cor de rosa; as “mulheres-antissociais”, como era classificado o grupo que incluía mulheres lésbicas, usavam um triângulo invertido preto; enquanto os judeus homossexuais eram identificados com um triângulo rosa, sobrepondo um amarelo.

História da Homofobia

À essas pessoas, era destinado um tratamento contra doença mental, em que a “cura” era aplicada através de métodos de tortura, como castração, estupros corretivos, terapia de choque e lobotomia.

Enquanto isso, nos EUA, a Lei Seca terminou em 1933. Assim então, vários bares abriram nas cidades norte-americanas, e eram livres para comercializar bebidas alcóolicas. Porém, existia uma condição: estabelecimentos voltados para o público LGBT eram proibidos, afinal a homossexualidade foi criminalizada no país até 1962, com penas de prisão, trabalho forçado ou morte.

Desta forma, os bares existentes operavam discretamente, e além disso, pagavam propina para os policiais. Tal condição, refletiu anos mais tarde no caso de Stonewall, no qual falaremos mais adiante.

Recentemente, há apenas 30 anos, exatamente em 17 de maio de 1990, foi que a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados a Saúde (CID).

Tal data se tornou um marco nos avanços pelas lutas e direitos da comunidade LGBTQIA+, e é então considerada como o Dia Internacional de Combate a Homofobia.

Mas ainda há muito pelo que lutar. De acordo com relatório da ILGA (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais), 70 países ainda criminalizam a homossexualidade atualmente.

Países que Criminalizam a Homossexualidade

O relatório revisa a legislação de países membros da ONU, e indica que dessa quantia, em 68 países existem leis homofóbicas explícitas. Em 44 países, a lei vale para os dois gêneros, enquanto nos demais, é válida apenas para homens.

Dos 70 países que criminalizam a homossexualidade, 33 ficam na África, 22 na Ásia, 9 nas Américas e 6 na Oceania. Não existe nenhum na Europa. Dentre as penalidades aplicadas, estão multas, prisões (inclusive perpétua), e até a pena de morte, como praticado no Irã, Arábia Saudita, Iêmen, Sudão, Somália e Nigéria.

Ainda de acordo com a ILGA, em 1969, 74% da população mundial vivia em países que criminalizavam a homossexualidade, e agora essa porcentagem caiu para 23%.

Em 52 países, existe legislação contra a discriminação sexual, e em 73 existe leis de proteção contra discriminação no trabalho. Apenas 26 países aprovam o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Países que criminalizam a Homossexualidade

No vídeo abaixo, o historiador Leandro Karnal traz mais informações sobre a história da homofobia:

Homofobia no Brasil

Aqui no nosso país, embora existam leis contra a homofobia, a realidade está bem longe de ser uma nação segura para a comunidade LGBTQIA+. Confira o nosso infográfico:

Infográfico sobre a homofobia no Brasil

Uma outra pesquisa da ILGA, indica que o Brasil lidera o ranking em quantidade de homicídios de pessoas LGBTs+ entre os países das Américas, e é o líder mundial em assassinato de pessoas trans.

De acordo com relatório do GGB (Grupo Gay da Bahia), em 2019 aconteceram 329 mortes violentas de LGBTs+ no Brasil, vítimas de homofobia. Dentre elas, 297 foram por homicídio e 32 por suicídio, o equivalente a 1 morte a cada 26 horas. Em comparação a 2018, houve uma redução de 26% dos casos.

O Google também revela o Brasil como líder no ranking de pesquisas sobre homofobia. Segundo apontam os dados, as buscas mais procuradas foram por: “O que é ser homofóbico?”; “O que é preconceito homofóbico?”; “De que maneira a homofobia e transfobia se materializam?”; “Quais as causas da homofobia?” e “O que é homofobia institucional?”.

Principais perguntas sobre homofobia.

A pesquisa levantada pelo Google também revela quais foram as buscas dos brasileiros sobre o termo “Orgulho LGBT”: “O que implica tirar LGBT dos Direitos Humanos?”; “O que o movimento LGBT reivindica?”; “Quais são os projetos de leis aprovados sobre direitos da comunidade LGBT?”; “O que são as diretrizes dos direitos LGBT?” e “Quais são os Direitos LGBT?”.

Pesquisas sobre direitos LGBT+

A legislação brasileira prevê crimes de homofobia, e o STF definiu no ano passado que as punições sejam aplicadas de acordo com a Lei do Racismo, enquanto o Congresso não cria leis específicas para o tema. Segundo levantamento, a comunidade LGBT+ se sente menos segura, após as eleições de 2018.

Perguntamos se nosses entrevistades consideram o Brasil um país seguro para a comunidade LGBT+, confira as respostas:

Teka Balluthy: Infelizmente não acho um lugar seguro. Estamos no topo do ranking de países que mais matam transexuais. Em 2017 fomos o país que mais matou LGBT+ no mundo.

Entrevista sobre preconceito e homofobia

Muitas amigas e amigos meus já sofreram agressões absurdas, eu já fui agredida moral e verbalmente simplesmente por amar.

Acho que ainda precisamos aprender muito. Dói meu coração saber que um povo tão capaz de amar, tão cheio de calor, ainda não aprendeu sobre respeitar o próximo, sobre humanidade.


Belle Marques: De jeito nenhum. Apesar da LGBTfobia ter sido criminalizada, em 2019 foram registradas, pelo menos, uma morte a cada 23 horas no Brasil. Sem contar o fato de sermos o país que mais mata pessoas transexuais.

Durante as eleições, em 2018, eu tinha medo de andar de mãos dadas com a minha namorada na rua, ou de demonstrar qualquer tipo de afeto. Em São Paulo, aumentaram os casos de agressões físicas e verbais contra pessoas LGBT+ durante essa época, eu mesma tive pessoas próximas que sofreram.

Eu nunca vou esquecer o medo que senti, é como se ele me perseguisse até hoje.

Depoimento sobre homofobia

Os impactos da pandemia de coronavírus na comunidade LGBT+

O coletivo #VoteLGBT fez um mapeamento sobre os impactos causados pelo isolamento social na comunidade LGBTQIA+. Depois de entrevistar mais de 10 mil pessoas em todos os estados brasileiros, os dados revelaram que:

  • A maior preocupação da comunidade é com a saúde mental, visto que 28% das pessoas entrevistadas já foram diagnosticadas com depressão, uma marca 4 vezes maior que a registrada entre a população brasileira;
  • 20,7% disseram não possuir renda;
  • 21,6% informaram estar desempregadas, enquanto o índice entre o restante da população é de 12,2%.

De acordo com a demógrafa Fernanda De Lena, pesquisadora da Unicamp que contribuiu para a pesquisa: “A taxa de desemprego entre LGBTs tende a ser mais elevada que da população em geral, pois a inserção no mercado trabalho formal é dificultada por diversos fatores, entre eles o preconceito”.

Para entender mais a respeito, leia o nosso post sobre a comunidade LGBT no mercado de trabalho.

Agora que já abordamos os tristes fatos sobre homofobia na história, ao longo dos anos e atualmente, vamos entender como a comunidade LGBTQIA+ mudou a realidade com seu empoderamento.

Por que Junho é o Mês do Orgulho LGBT+?

É sempre no mês de junho que acontecem os eventos do orgulho LGBTQIA+.

Mas o que faz de junho um mês especial? Bom, para te explicar precisamos voltar a 1969, precisamente no dia 28 de junho, em que aconteceu a Rebelião de Stonewall.

O Stonewall Inn, situado na rua Christopher, n° 53, no bairro Greenwich Village, em Nova York, EUA, era o único bar gay da cidade na época. Seus donos eram a mafiosa Família Genovese, que pagava propina aos policiais para manter o estabelecimento aberto, prática que já mencionamos anteriormente.

Stonewall Inn nos anos 60

Vale lembrar que em 1969, a descriminação da homossexualidade ainda era algo recente no país, tendo ocorrido apenas 7 anos antes.

Com isso, as batidas policiais no bar aconteciam com frequência e sempre de forma violenta e preconceituosa, ocasionando na prisão de funcionários, clientes e homens trans ou vestidos como mulher.

Até que um dia, todas as pessoas que frequentavam o Stonewall Inn resolveram reagir a repressão. A confusão começou quando os clientes se recusaram a se identificar, como faziam sempre. Tal comportamento fez a polícia decidir por suas prisões, e foi então que uma multidão começou a se aglomerar em torno do bar.

O clima já estava muito tenso até então, mas o estopim se deu quando um policial agrediu uma mulher, e esta pediu apoio aos outros manifestantes. As pessoas começaram a jogar moedas e garrafas nos policiais, e logo o confronto se intensificou, causando até incêndio no bar. As drag queens Sylvia Era Rivera e a Marsha P. Johnson foram personagens importantes na rebelião.

Primeira noite de confronto no Stonewall Inn
Primeira noite de confronto no Stonewall Inn

Na noite seguinte, o Stonewall Inn reabriu, mesmo em ruínas. Mas como não podiam ficar do lado de dentro, seus clientes ocuparam as ruas em torno, com demonstrações públicas de afeto. A polícia chegou novamente e houve uma nova confusão e foi assim durante 6 dias. Este episódio ficou conhecido como Stonewall Riot, a Rebelião ou a Revolta de Stonewall.

Confrontos em Stonewall Inn
Confrontos em Stonewall Inn

Em questão de meses, os atos contra a violência e a homofobia se espalharam por todos os estados norte-americanos. E exatamente um ano depois, no dia 28/06/1970, acontecia a primeira Parada do Orgulho LGBT pelas ruas de NY.

Primeira parada LGBT em Nova York
Primeira parada LGBT em Nova York

O então presidente Barack Obama, em 2016, estabeleceu o local como Monumento Nacional da História Norte Americana. E de acordo com o livro de David Carter, foi a rebelião que deu início ao Gay Rights Movement (Movimento pelos Direitos dos Gays).

Monumento histórico Stonewall Inn

No Brasil, a primeira parada aconteceu em 1997, e atualmente a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo é uma das maiores do mundo. É o segundo evento que mais reúne turistas no país, atrás somente do carnaval carioca.

Parada LGBT no Brasil
23° Parada LGBT de São Paulo

Mas como o movimento se iniciou por aqui? Vem entender!

O Início do Movimento LGBT no Brasil

Aqui no Brasil, o movimento LGBT teve início nos anos 70, ainda no período da Ditadura Militar. A comunidade LGBT se comunicava através de meios alternativos, como era comum devido a censura. O destaque era o jornal Lampião da Esquina.

O periódico foi fundado em 1978, era abertamente homossexual, questionava questões sociais e denunciava a violência contra pessoas LGBT.

Inspirado no Lampião da Esquina, o jornal ChanacomChana foi fundado em 1981, por mulheres lésbicas. Elas aproveitavam as noites no Ferro’s Bar, região central de São Paulo, para comercializar o periódico. Porém, os donos que desaprovavam as vendas, decidiram expulsar as mulheres do bar em 83.

Um trechinho da história escondida na ditadura. Um trechinho sobre o que era ser lésbica no regime militar.Queria agradecer a Regina Pichuru e a Márcia Fabiana pela oportunidade incrível.(Câmera granulada, falta de foco e probleminhas técnicos, mas a gente da um jeito, né? Inclusive, moças do audiovisual que se interessarem somem pra ajudar!)

Posted by Marina Garcia on Monday, August 29, 2016

É claro que a expulsão causou revolta, e por isso, no dia 19 de agosto daquele mesmo ano, lésbicas, feministas, ativistas LGBT, e figuras políticas, como o então deputado Eduardo Suplicy, foram ao Ferro’s Bar protestar contra a censura.

Ferro's Bar
Ferro’s Bar, o Stonewall Brasileiro

Este levante ficou conhecido como o Stonewall Brasileiro, e é por isso que em 19 de agosto é comemorado o Dia do Orgulho Lésbico em São Paulo. Esta foi a primeira manifestação lésbica no Brasil, e que incentivou outros grupos LGBTs+ a se posicionarem.

A nossa última pergunta foi sobre a melhor forma de enfrentar o preconceito e a homofobia, veja o que nosses entrevistades disseram:

Teka Balluthy: Amor, informação, paciência, sabedoria e empatia.

Não podemos exigir que alguém nos entenda, mas devemos exigir nossos direitos, pra isso precisamos de informação.

Paciência e empatia pra entender que algumas pessoas simplesmente não vão nos entender e amar e tudo bem, mas isso não significa que elas podem nos desrespeitar (isso, jamais!).

Sabedoria pra atravessar esse longo caminho que temos pela frente. E amor porque ele é o grande motor da nossa vida.


Belle Marques: Em primeiro lugar, temos que ficar sempre atentos às políticas públicas que dizem respeito á nossa comunidade.

O Estado, junto com os representantes políticos que elegemos, tem um papel muito importante nessa luta.

Precisamos também combater o discurso conservador que toma conta do nosso país e que sustenta o ódio e o preconceito.

Mas todo mundo pode ajudar de certa forma, com pequenos atos.

Podemos incentivar o trabalho de artistas abertamente LGBT+, ajudar ONGs, levar essas pautas pra dentro de empresas e escolas, e, principalmente, acolher quem está́ perto de nós.

É uma luta árdua e constante, mas extremamente necessária para uma sociedade livre.


Renato: Acredito que num primeiro momento precisamos do respaldo da lei. A aprovação da LGBTfobia como crime de ódio foi uma grande vitória para nós, mais ainda lutamos pela aprovação do estatuto da diversidade, uma lei específica que nos proteja e nos inclua na sociedade.

Porém, o mais importante é a conscientização que vem através da educação. Falta informação para as pessoas entenderem que a comunidade LGBT+ não é nenhuma aberração e sim apenas parte da sociedade que vivemos.

Entrevista sobre LGBTfobia

Dependemos que as escolas tragam discussões pertinentes ao tema, para que as crianças se tornem indivíduos de opiniões próprias, que questionem e pesquisem e não apenas compartilhadores de videos sensacionalistas.

O que Significa a Sigla LGBT+?

A sigla LGBT foi adotada por organizações internacionais como a ONU e a Anistia Internacional, mas ela pode ser encontrada em diferentes variações. Atualmente, a sigla mais completa é LGBTQIA+. Entenda o que cada letra significa:

  • L – Lésbicas: mulheres que sentem atração, romântica ou sexual, exclusivamente pelo sexo feminino;
  • G – Gays: pessoas que sentem atração sexual ou romântica, por pessoas do mesmo sexo;
  • B – Bissexuais: pessoas que sentem atração, sexual ou romântica, por ambos os sexos;
  • T – Travestis/ Transexuais/ Transgêneros: Travestis: pessoas que assumem um papel de gênero diferente do da origem de nascimento, no modo de se vestir, mudam de nome, timbre de voz, tomam hormônios, mas ao mesmo tempo não se incomodam com os órgãos genitais de seu sexo de nascimento. Transexuais: pessoas que nascem de um gênero, mas se sente de outro, e recorrem a cirurgia para mudança de sexo. Transgênero: pessoas que transitam entre os gêneros masculino e feminino, para além deles. Contempla travestis, transexuais, não-binários, drag queens, crossdresser;
  • P – Pansexuais: pessoas que sentem atração sexual por todos os gêneros, seja homem, mulher, travesti, transgênero, transexual, etc;
  • Q – Queer: pessoas que, de acordo com sua orientação sexual ou identidade de gênero, estão fora das normas de gênero;
  • I – Intersexo: pessoas com anatomia genital ou reprodutiva que não se encaixa em sexo masculino ou feminino;
  • A – Assexuais: pessoas que não sentem atração sexual;
  • +: usado para incluir as pessoas que não se sentem representadas pelas demais letras.

Esse vídeo da Lorelay Fox falando sobre o significado de LGBTQIA+ vale muito a pena ver:

Existem também outras classificações de gênero:

  • Cisgênero: pessoas em que a identidade de gênero e o sexo biológico coincidem;
  • Crossdresser: pessoas que usam roupas e acessórios usados pelo sexo oposto, mas que se identificam com seu sexo biológico e identidade de gênero;
  • Drag Queen: um (a) artista que se apresenta com performances, usando elementos do sexo oposto. Não tem relação com identidade de gênero ou orientação sexual, qualquer pessoa pode ser uma drag queen ou drag king, como são chamadas as mulheres que tem personagem masculino.
  • Não Binário: pessoas que não se identificam apenas como femininas ou masculinas.

Outro ponto a se considerar em relação aos termos LGBT+, é a linguagem inclusiva. Ao longo do post, inclusive, fizemos o uso dela.

Mas o que é linguagem inclusiva? São palavras que deixam de ser masculinas ou femininas, trocando as letras “O” e “A” por “X” ou “E”. Exemplo: nossos, nossas, nossxs, nosses.

A prática está cada vez mais popular, ainda mais nas redes sociais, e abrange todos os gêneros.

Filmes e Documentários LGBT+

Chegando até aqui neste post, você já tem bastante informações sobre homofobia e o movimento LGTBQIA+, né? Mas para reforçar ainda mais os seus conhecimentos, vamos te indicar uma listinha de filmes LGBT e documentários também:

  • Before Stonewall (1984);
  • Stormé: The Lady of the Jewel Box (1991);
  • Stonewall – A Luta Pelo Direito de Amar (1995):
  • After Stonewall (1999);
  • A Stormé Life (2001);
  • Pay It No Mind: The Life and Times of Marsha P. Johnson (2012):
  • The Normal Heart (2014);
  • She’s beautiful when she’s angry (2014):
  • Major! (2016);
  • Happy Birthday, Marsha! (2017):
  • A Morte e Vida de Marsha P. Johnson (2017) é da Netflix:
  • Sylvia Rivera: A Tribute.

Além dessas dicas, temos uma outra lista incrível de filmes LGBT, aqui.

Viva a Diversidade!

Como junho é marcado por celebrações LGBTs+, e agora você já sabe o porquê, é claro que não podia faltar um megaevento, ainda que a distância. Neste ano, devido a pandemia de coronavírus, vai acontecer a primeira Parada Global, a Global Pride 2020.

O evento vai reunir online mais de 800 marchas do mundo todo, e vai durar 24 horas consecutivas. A transmissão vai contar com a participação de líderes globais, popstars e drag queens e, inclusive, a nossa querida Pabllo Vittar também está confirmada no line-up.

Enfim, chegamos ao final deste post e esperamos que ele tenha agregado bastante conhecimento para você. Informe-se, posicione-se contra a homofobia e lembre-se sempre que amor é amor, de todas as formas.