Questões feministas são cada vez mais discutidas em todos os lugares e sempre nos deparamos com elas de alguma forma. Mas se você quer se aprofundar ainda mais no assunto, conhecer e entender melhor a causa, nada como ler bons livros sobre feminismo para se informar.

Quando não conhecemos muito bem sobre um assunto, não nos sentimos em segurança para discutir a respeito, certo? Seja para concordar ou discordar.

Por isso, se você vê todo mundo falando em feminismo, mas tem uma opinião rasa sobre isto, e quer entender o que a causa reivindica, porque não é nenhum mimimi e quer ter mais propriedade para defendê-la, este post é para você!

Já contamos aqui sobre mulheres feministas, tem um post especial só da Frida Kahlo, e também já falamos sobre  . Mas hoje, eu vou te indicar livros sobre o feminismo para você entender de fato o que é isso.

Livros feministas para entender o movimento

“Reivindicação dos direitos da mulher”, de Mary Wollstonecraft (1792)

“Reivindicação dos direitos da mulher”, de Mary Wollstonecraft (1792)

Mary Wollstonecreft foi uma mulher muito à frente de seu tempo, e isso pode ser conferido no seu livro Reinvindicação dos direitos da mulher. Ela dedicou a sua vida em defesa da emancipação feminina, participando da Revolução Francesa e defendendo o amor livre.

Neste livro, Mary denuncia a exclusão das mulheres do acesso aos direitos básicos, especialmente a educação formal, no século XVIII. Ela se tornou uma referência do feminismo contemporâneo, e inspirou diversas feministas como a também autora, Simone de Beauvoir.

Sua obra é considerada um dos documentos fundadores do feminismo, e é fundamental para discussões de gênero.

“Um teto todo seu”, de Virginia Woolf (1929)

“Um teto todo seu”, de Virginia Woolf (1929)

Esta obra de Virginia Woolf, é baseada em palestras que a autora deu em faculdades, em 1928. O ensaio te convida a refletir sobre como as condições sociais da mulher influenciam em suas produções literárias.

Apesar de sua data de publicação, o livro traz um assunto atemporal, questionando o machismo e como as mulheres precisavam provar que eram intelectualmente tão capazes quanto os homens (o que, infelizmente, ainda soa tão familiar).

Em Um teto todo seu, entendemos o quanto a independência financeira é importante para o empoderamento feminino.

“O segundo sexo”, de Simone Beauvoir (1949)

“O segundo sexo”, de Simone Beauvoir (1949)

Leitura indispensável, e apesar de ter se passado 71 anos desde a sua primeira publicação, O segundo sexo é um livro atemporal, considerado como “a Bíblia” do feminismo.

Foi esta obra que consagrou a filósofa francesa Simone Beauvoir mundialmente. Além disso, despertou o olhar da sociedade para assuntos até então, nunca abordados.

Em O segundo sexo, Beauvoir te convida a uma reflexão sobre fatos e mitos da condição da mulher, com argumentos pautados na biologia, antropologia, sociologia, psicanálise, na história e outros conhecimentos. Assim, ela aborda o desequilíbrio de poder entre os gêneros e a posição que as mulheres ocupam.

É um livro fundamental para entender a segunda onda do feminismo.

“A mística feminina”, de Betty Friedan (1963)

“A mística feminina”, de Betty Friedan (1963)

O livro A mística feminina é o resultado de anos de pesquisa de Betty Friedan, a respeito de como as mulheres se sentiam como donas do lar, desmistificando a ideia de que ser uma esposa dedicada e uma mãe exemplar, era o ideal de felicidade delas. Além disso, a autora também aborda a criação das meninas, que eram educadas para servir à família e ao lar, apenas.

Com o passar dos anos, esse status social foi frustrando as mulheres, o que elevou índices de alcoolismo e transtornos mentais nos EUA.

A obra também é um clássico da segunda onda do feminismo.

“Mulheres, raça e classe”, de Angela Davis (1981)

“Mulheres, raça e classe”, de Angela Davis (1981)

Este livro da ativista Angela Davis é essencial para entender o feminismo negro. Em Mulheres, raça e classe, Davis traz uma linha cronológica das lutas do povo negro norte-americano, pelo direito ao voto e contra segregação racial.

Ela aborda a diferenças de ações entre as mulheres brancas e negras, pautadas em questões sociais.

O livro Mulheres, raça e classe foi publicado nos EUA em 1981, mas traduzido para português apenas em 2016. É considerado um clássico da literatura feminista.

“O mito da beleza: Como as imagens da beleza são usadas contra as mulheres”, de Naomi Wolf (1991)

“O mito da beleza: Como as imagens da beleza são usadas contra as mulheres”, de Naomi Wolf (1991)

Um outro clássico livro para você entender o feminismo, O mito da beleza: Como as imagens da beleza são usadas contra as mulheres, é considerado um dos títulos mais importantes sobre a segunda onda feminista.

A jornalista Naomi Wolf traz em sua obra, estatísticas que revelam o quanto o padrão de beleza imposto pela sociedade patriarcal é prejudicial às mulheres.

Wolf expõe a opressão estética, confrontando a indústria da beleza, e levantando assuntos difíceis como distúrbios alimentares e mentais, além dos avanços das indústrias de cirurgia plásticas e pornografia.

“Sobrevivi…posso contar”, de Maria da Penha (1994)

“Sobrevivi...posso contar”, de Maria da Penha (1994)

O livro traz relatos em forma de autobiografia da Maria da Penha, ícone da causa contra a violência doméstica. Nele, conhecemos a história de dor e superação da protagonista, que luta pelos direitos das mulheres a uma vida sem violência.

Sobrevivi…posso contar”, aborda a vida, o relacionamento abusivo que Maria viveu ao lado de seu agressor e a lei brasileira n° 11.340 criada com seu nome, a lei Maria da Penha, que garante proteção às mulheres.

Esta é uma leitura fundamental para entender melhor sobre violência contra a mulher e os nossos diretos, portanto, não pode faltar na sua lista de livros sobre o feminismo.

“Sejamos todos feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie (2014)

“Sejamos todos feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie (2014)

A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente.”

Este é um dos trechos do livro de Chimamanda Ngozi Adichie, premiada autora nigeriana. Sejamos todos feministas possui apenas 38 páginas, mas vai te fazer refletir bastante sobre o feminismo.

A obra, que é um sucesso mundial, foi uma adaptação de uma palestra da Chimamanda no TEDxEuston, em 2012, em que ela também discutiu sobre estereótipos de gênero.

“Mulheres no poder: Trajetórias na política a partir da luta das sufragistas do Brasil”, de Shuma Schumaher e Antonia Ceva (2015)

“Mulheres no poder: Trajetórias na política a partir da luta das sufragistas do Brasil”, de Shuma Schumaher e Antonia Ceva (2015)

Confira o depoimento das autoras a respeito da obra:

 

Buscamos subsídios e materiais em acervos e instituições de todo o Brasil, recuperando memórias e histórias, muitas vezes esquecidas, da luta das mulheres do Brasil pela conquista do voto”.

Neste livro sobre feminismo no Brasil, você vai conhecer histórias de mulheres que marcaram presença política no desenvolvimento do nosso país, mas que são desconhecidas do grande público.

“Os homens explicam tudo para mim”, de Rebecca Solnit (2015)

“Os homens explicam tudo para mim”, de Rebecca Solnit (2015)

O livro de Rebecca Solnit, Os homens explicam tudo para mim, surgiu de uma situação cômica, para não chamarmos de trágica: certo dia ela estava em uma festa, e um homem passou o tempo inteiro falando sobre um livro que ela deveria ler, sem dar a ela a chance de explicar que ela mesma era a autora!

A partir daí, então, ela escreveu esta obra que reúne uma série de dados sobre violência contra a mulher de todas as formas.

É um livro essencial para entender pelo que o feminismo reivindica e entender também o que é mansplaining.

“Quem tem medo do feminismo negro?”, de Djamila Ribeiro (2018)

“Quem tem medo do feminismo negro?”, de Djamila Ribeiro (2018)

Este livro da Djamila Ribeiro, uma das maiores ativistas do feminismo negro no Brasil, reúne diversos artigos dela publicados no blog da revista Carta Capital entre 2014 e 2017.

Os artigos abordam memórias da infância e adolescência da autora, um período em que ela reprimia sua personalidade e que o chama de “silenciamento”, devido a descriminações que sofria. E também trata de questões cotidianas, discutindo sobre machismo e racismo estrutural.

Além disso, Djamila também aborta a obra de Simone de Beauvoir, políticas de cotas raciais, mobilizações pelas redes sociais e as origens do feminismo negro no Brasil e nos EUA.

Esta foi a lista de indicações dos  melhores livros sobre o feminismo, e eu espero que você tenha se interessado por todos eles. Se por acaso você já tenha lido algum, comente aqui as suas considerações e indique também outras obras que achar relevante.