Seja explícito ou velado, o machismo no trabalho está presente na rotina profissional das mulheres. Por isso, é preciso sempre trazer o assunto para debate, para que cada vez mais pessoas tomem ciência dos seus atos e mude para melhor.

Talvez você tenha total noção de todas as vezes que foi vítima de alguma atitude machista no trabalho. Mas também pode ser que muitas aconteceram, e você nem se deu conta. Isso porque acontecem muitas coisas que foram normalizadas com o tempo, e que não são enxergadas como machistas.

Logo, quanto mais informação você tiver, vai saber como reagir melhor ao machismo no ambiente de trabalho, ou como evitar ser um profissional machista.

Para começar, vamos compartilhar um infográfico sobre o machismo no ambiente de trabalho. Ele é um compilado com os dados que abordaremos no decorrer do artigo.

Infográfico sobre o machismo no trabalho

Neste post, vamos discutir o assunto em prol de um ambiente corporativo saudável e igualitário. Vem com a gente!

Afinal, o que é machismo?

Primeiramente, vamos reforçar o que é este comportamento, para então abordarmos o machismo no ambiente de trabalho.

O machismo está enraizado nas estruturas da sociedade patriarcal em que vivemos. Justamente por isso, a luta para combatê-lo é diária.

O que é machismo?

Machismo não é o oposto de feminismo, com algumas pessoas insistem em acreditar. Pelo contrário, é um comportamento que favorece homens em relação as mulheres, e pode ser manifestado de várias formas e a qualquer momento.

Não apenas os homens podem ser machistas, mas também as mulheres, em qualquer atitude que inferiorize o gênero feminino. E isso pode acontecer em diversos cenários, como: familiar, social, econômico ou jurídico.

Por isso, acontecem muitas situações machistas no trabalho. Vamos falar sobre as mais comuns, que você provavelmente já vivenciou ou presenciou.

Como identificar o machismo no ambiente de trabalho?

De micromachismo – como são classificadas as atitudes sutis – a mais clara manifestação de machismo, as mulheres sofrem com diversas situações no trabalho. Veja algumas delas e como identifica-las:

Comentários sobre TPM

É recorrente para uma mulher ouvir comentários sobre estar de TPM (Tensão Pré-Menstrual), quando lida de forma mais explosiva com algum assunto.

Homens também tem alteração de humor no trabalho, o que é completamente aceitável para qualquer pessoa, mas eles não têm o sentimento reduzido a condições hormonais, nem são menos ouvidos por isso. Portanto, comentários e piadinhas sobre TPM é uma atitude machista;

“Deve estar saindo com o chefe”

A famigerada frase pronta, repetida sempre que uma mulher alcança uma posição superior no trabalho.

É uma atitude extremamente machista, quando alguém deduz que uma boa profissional está sendo reconhecida por outros meios, que não a sua competência;

Dress Code corporativo abusivo

Muitas empresas definem qual tipo de roupa seus colaboradores e colaboradoras devem usar, e até aí tudo bem. O problema é quando solicitam um dress code abusivo para uma mulher.

Por exemplo: tem uma reunião e solicitam para que a colaboradora se arrume bem bonita, com maquiagem, roupa decotada e curta para “agradar” o cliente.

Bropriating – Roubar ideias e levar os créditos

Outro comportamento comum de machismo no trabalho, é quando um homem se apropria da ideia de uma mulher, apresenta como se fosse dele e ainda leva todo o crédito.

E isso, muitas vezes, na presença da mulher! Essa prática é conhecida como Bropriating (do inglês: “bro” -gíria para “cara” + appropriating – apropriação).

Bropriating – Roubar ideias e levar os créditos

Mansplaining – Explicar o que é óbvio

Mais uma atitude machista muito comum no ambiente corporativo, é quando um homem explica o que é óbvio, de forma bem didática, para uma mulher, como se ela fosse incapaz de entender sozinha.

Essa atitude é chamada de Mansplaining (do inglês: man – homem + explaining – explicar).

Mansplaining – Explicar o que é óbvio 

O termo foi criado pela escritora Rebecca Solnit, em 2008, depois de receber a explicação de um homem, sobre o livro que ela mesma escreveu! Tal situação a inspirou a escrever Os Homens Explicam Tudo Para Mim.

Manterrupiting – Interromper uma mulher falando

Outra clássica é quando as mulheres são frequentemente cortadas por homens em apresentações e reuniões, e com isso não conseguem concluir seu raciocínio.

De acordo com estudo da Universidade George Washington, os homens falam mais em reuniões e interromperem suas colegas, sem necessidade.

A essa prática, deu-se o nome de Manterrupiting (do inglês: man – homem + interrupting – interrupção).

Esses foram alguns exemplos de machismo no ambiente de trabalho, que são comuns de acontecerem a partir dos colaboradores. Mas e quanto a postura da empresa?

Existem diversas boas práticas de diversidade para a cultura organizacional. Confira!

Como a minha empresa pode se posicionar contra o machismo no trabalho?

O posicionamento de uma empresa contra o machismo no ambiente de trabalho deve começar nos primeiros passos de uma contratação, e ser reforçado, constantemente, na cultura organizacional. Entre as boas práticas de equidade, estão:

Dar oportunidade igual em novas vagas

O departamento de RH deve entrevistar o mesmo número de candidatas e candidatos. E fazer o possível para que isso aconteça, mesmo quando o cargo for para uma área predominantemente masculina, como engenharia, por exemplo.

Não desqualificar uma profissional que é mãe

Segundo outro estudo da Universidade de Chicago, 44% das candidatas com filhos têm menos chance de conseguir uma vaga disputada com uma mulher sem filhos, mesmo que suas qualificações profissionais sejam semelhantes.

Além disso, é comum as mulheres mães serem questionadas sobre com quem deixarão os seus filhos, caso consigam o emprego. Enquanto os homens pais, por outro lado, não sofrem essa abordagem. Já que os filhos são responsabilidade tanto materna, quanto paterna, o RH não deve perguntar sobre eles em uma entrevista.

Ao invés disso, se possível, uma boa prática é oferecer auxílio creche como benefício da empresa, independente do gênero que quem está sendo entrevistada (o).

Valorizar as colaboradoras mães

Oferecer um horário flexível é um gesto de empatia e confiança no trabalho das colaboradoras mães. E conforme o artigo 396 da CLT, as empresas devem disponibilizar um local confortável e reservado para as mães que amamentam e precisam tirar leite durante o horário de expediente;

Além disso, após se tornarem mães, as mulheres se sentem inseguras em relação aos seus empregos. Segundo a FGV, metade das mulheres são demitidas em até 24 meses após o retorno da licença maternidade. A empresa deve valorizar as colaboradoras por suas competências e evitar fazer parte destes índices discriminatórios, para combater o machismo.

Pagar salários iguais para o mesmo cargo

Ainda que previsto por lei no artigo 7° da Constituição de 1988, e também no artigo 461 da CLT, que seja proibido a “diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil”, as mulheres são menos remuneradas. De acordo com pesquisa feita pelo IBGE, as mulheres ganham em média 20,5% a menos que os homens, exercendo o mesmo cargo!

A sua empresa não deve compactuar com esses dados, e para que as colaboradoras se sintam ainda mais seguras, deve haver uma política clara de cargos e salários;

Promover campanhas de conscientização

Os eventos internos devem acontecer constantemente, e não apenas no dia das mulheres, ou quando acontece algum fato pontual de machismo no ambiente de trabalho, como é de costume.

Deve existir uma política organizacional clara sobre assédio e as suas penalidades, além de um canal, anônimo ou não, para denúncias. Também podem ser dadas palestras, e em caso de eventos esportivos, que sejam mistos e não apenas masculino, como acontecem com os jogos de futebol, frequentemente, por exemplo.

Uma ideia muito incrível foi realizada por colaboradoras do iFood, que desenvolveram um Guia antimachismo no Trabalho. A sua empresa pode se inspirar e desenvolver o seu próprio e compartilhar com todos os colaboradores (as). Confira:

Como eu posso combater o machismo no trabalho e no dia a dia?

Chegando até este ponta do artigo, você já percebeu que machismo não é “mimimi” e que mudar a realidade é um trabalho coletivo, certo? Por isso, você não precisa esperar por iniciativas externas para fazer a sua parte.

Comece ouvindo as mulheres, entenda pelo que nós lutamos. Adquira conhecimento, e uma ótima dica de leitura sobre o machismo no mundo corporativo é o livro Faça Acontecer, da Sheryl Sandberg. A série “História: Direto ao Assunto” da Netflix, também tem um ótimo episódio sobre o Feminismo.

Como combater machismo no trabalho?

Após esta leitura, você pode se interessar também em saber que desigualdade de gênero começa na infância, e que a luta do feminismo ganha cada vez mais força, mas infelizmente ainda estamos longe de um mundo ideal. Identifique quais são os seus comportamentos machistas no dia a dia e se autocorrija.