Ao longo do tempo, a relação entre pessoas e animais de estimação se tornou muito mais afetiva, e os pets passaram a ser considerados como membros da família. Eles não ganham apenas ração e carinho, como também ganham festas, viagens, e muito mais. Além disso, passaram a ter uma despedida digna quando chega a hora de partir.

Quem tem um animal de estimação sabe que eles dominam os nossos corações e as nossas casas. Afinal, eles se apoderam do melhor lugar no sofá e até mesmo do maior espaço na cama, ainda mais se tratando dos cachorros, né?

O nosso carinho com eles é tão grande que não resistimos a mimos e adoramos os locais pet friendly que nos permitem sair da rotina e fazer coisas diferentes.

Devido a evolução do relacionamento entre humanos e animais, muita coisa mudou também no mercado pet para atender essa demanda cada vez mais humanizada.

Por isso, neste post vamos falar sobre os pets como membros da família, de todos os mimos na criação, até o momento doloroso de quando um animal de estimação morre e o que é preciso fazer. Vamos lá!

Animais domésticos no Brasil

Quantas pessoas você conhece que tem um bichinho em casa? Aposto que muitas, né? Isto porque os lares brasileiros têm cada vez mais animais de estimação e menos crianças. Entre cachorros, gatos, aves e outras espécies, eles aparecem em números altos nas pesquisas.

De acordo com o último Censo Pet do IBGE (2018), divulgado pelo Instituto Pet Brasil, existem 139,3 milhões de pets no Brasil. Deste total, 54,2 milhões são cães, 39,8 milhões são aves, 23,9 milhões são gatos, 19,1 milhões são peixes e 2,3 milhões são répteis e pequenos mamíferos. A região Sudeste concentra o maior número de animais com 47,4%, seguida da Nordeste com 21,4%, Sul 17,6%, Centro-Oeste 7,2% e Norte com 6,3%.

Se tratando de cães, o Brasil é o segundo país com a maior população canina do mundo, e além disso, também temos o segundo maior mercado pet do mundo, ambos atrás somente dos EUA.

Vale lembrar que a nossa relação com os animais mudou conforme a evolução da sociedade, e com o tempo foi acontecendo a domesticação dos animais para então chegarmos no convívio que temos hoje.

O Átila Iamarino, biólogo e pesquisador, fez um vídeo muito interessante e didático sobre a domesticação de animais e plantas. Confira:

Pets são membros da família

Com toda essa população pet nas casas brasileiras, não é à toa que muitos deles sejam considerados como membros da família, ainda mais se tratando de cachorros e gatos. Ainda há aqueles que ficam no quintal para guardar a casa, porém é cada vez mais comum vê-los criados com muitos mimos e tratamentos impensáveis antigamente.

É provável que você já tenha visto alguma pessoa idosa, um tanto quanto indignada ao ver como membros mais jovens da família tratam seus pets. Isto porque, na época dos nossos avós, por exemplo, dificilmente os donos compartilhavam suas camas com o cachorro, mas hoje, porém, isso é muito comum.

Atualmente, os pets criados como filhos acabam tendo até mesmo guarda compartilhada em casos de divórcio. Quando não há negociação entre os divorciados, a Vara da Família é quem determina o acordo de guarda compartilhada do animal de estimação, enquanto não existe uma regulamentação para a espécie.

E por falar nisso, o PL 6.590/2019 está em análise na Comissão de Meio Ambiente, e visa criar um marco regulatório dos animais de estimação no Brasil, para reconhecer a importância deles para os humanos e assegurar a eles uma vida digna.

O projeto foi criado pelo senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), que explica: “Ninguém mais deve relevar os animais a coisas. Isto é tão verdade que o Poder Judiciário, com frequência, trata de litígios de casais separados com pedidos de guarda compartilhada dos animais de estimação”.

Esse vínculo entre pessoas e seus animais de estimação foi muito bem abordado na série Apenas Cães, da Netflix. Com um episódio mais emocionante que o outro, a produção mostra diversos tipos de relacionamentos com os seres de quatro patas.

A humanização dos pets

Devido a essa relação familiar que construímos, o mercado também foi mudando de comportamento para atender os novos hábitos entre pessoas e animais de estimação.

Surgiram locais pet friendly como restaurantes, shoppings e hospedagens, tudo para que o bichinho participe ao máximo possível dos momentos com a família.

Eventos pet

Os eventos pet friendly permitem que os animais interajam com outros de sua espécie, e que seus humanos também conheçam pessoas que vivem a mesma realidade.

Como por exemplo, o natal pet friendly em que você pode levar o seu cachorro para tirar foto com o Papai Noel. No ano passado, só em São Paulo, mais de 10 shoppings realizaram a decoração natalina pensada tanto para as crianças, quanto para os peludos.

O carnaval de rua que cresceu muito também abriu suas portas para que patinhas pudessem desfilar, e assim, diversos blocos pets invadiram as cidades, com adaptações voltadas ao bem-estar animal, como o som mais baixo, por exemplo. É comum que aconteçam desfiles e votação para a melhor fantasia nos blocos.

Hoje também já é possível encontrar cinemas que permitem a companhia de cães durante as sessões, como no Cinesystem. Uma vez por mês acontece o Cine Pet, em que uma sala de cinema fica reservada para mães e pais com seus cães.

Para curtir o cinema os cachorros não pagam ingresso, o volume do filme fica 30% mais baixo e a luminosidade da sala também fica diferente, tudo pensado para o conforto dos peludos.

Cinema para Pets

Esses são apenas alguns exemplos dos muitos eventos pet que existem.

Serviços humanizados para pets

Não só os eventos, como também os serviços visam cada vez mais agradar as famílias tutoras de animais.

Uma das maiores preocupações de quem tem pet, principalmente cachorro, é deixá-los sozinhos em casa por muito tempo, porque precisam sair para trabalhar. Pensando nisso, surgiram as creches, os canais de TV com programação exclusiva, serviços especializados de streaming de música e também serviços como o Dog Hero.

Dog TV

O canal fica disponível em pacotes de TV por assinatura e foi cientificamente desenvolvido com conteúdo exclusivo atendendo características dos cães como audição e visão, visando diminuir o estresse e ansiedade causados pela separação.

Playlists Spotify para pets

Já a plataforma de música disponibilizou no início deste ano uma função também voltada aos pets, mas aqui é mais democrático e atende mais espécies também:

Segundo pesquisa feita pelo Spotify, 71% dos (as) tutores (as) colocam música para seus bichinhos enquanto eles ficam sozinhos.

Sendo assim, eles desenvolveram a Pet Playlists. Nela você escolhe a espécie do seu pet e depois vai fornecendo as características dele.

Playlists Spotify para pets

No caso dos cachorros, você informa se ele é mais calmo ou agitado, tímido ou sociável, curioso ou apático. Depois, com base no que você escuta, a plataforma monta uma seleção de músicas que irá agradar a personalidade dele.

Veja abaixo o exemplo com a playlist do meu filhote:

Creches

Para quem tem mais condições e prefere não deixar os pets sozinhos, existem as creches. Muitas possuem câmeras com imagens disponibilizadas na web que possibilitam acompanhar o bichinho em tempo real.

Ah! Eles ainda ganham boletim para você acompanhar o rendimento (particularmente, eu acho uma fofura! ?).

Dog Hero

Ainda tem as opções do Dog Hero, que além de creche também tem pet sitter (visitas em casa) e passeios.

Mas os serviços humanizados para pets não param por aí. Existem aqueles dedicados a momentos especiais.

Buffets de Festa

Há quem faça um bolinho simples em casa e há quem contrate um serviço de buffet especializado, com direito a decoração, guloseimas e convidados.

Parece uma festa de humanos, né? Mas é de um cachorrinho e todo o cardápio foi feito especificamente para animais.

Hospedagens

Quando você quer viajar com animal de estimação, também não faltam opções de escolha.

Tem hospedagens que aceitam dependendo do porte, outras que deixam alguns locais restritos e tem as que são dedicadas aos pets como a Pousada Gaia Viva que se posiciona como “uma pousada para cães que também aceita humanos!”.

Padarias e confeitarias

Quem é que resiste a uma boa padaria com aquelas vitrines cheias de coisas deliciosas? Ninguém, né?

Bom, por isso existem as padarias para pets para que eles também possam desfrutar dessa alegria.

Um exemplo é a Padaria Pet cheia de opções para os peludinhos comerem coisas diferentes e preparadas exclusivamente para eles. Também tem cardápio para humanos, assim a família toda pode aproveitar.

Com tantas opções de locais para curtir com o seu bichinho, o Guia Pet Friendly é uma ótima fonte de informações para descobrir qual será o próximo passeio.

Pets nas redes sociais

É claro que com a humanização dos pets, as redes sociais não ficariam de fora!

As páginas e perfis de animais nas redes sociais são um alívio durante a rotina. Nos fazem rir, e são capazes de fazer o animalzinho ter uma voz dentro das nossas mentes, como se eles de fato conversassem com a gente como uma outra pessoa.

Um bom exemplo disso é o famoso grupo do Facebook Arrombadinhos Fofos do Kralho no qual os membros podem compartilhar fotos e histórias de seus pets.

E claro, os perfis no Instagram. Tem os que nos arrancam suspiros com tanta fofura, e os que nos fazem rir muito também, como o perfil da Olívia e seu irmão Jair, o perfil da Cloe e seus dentinhos para frente e o da Francisquinha a gatinha mais mal humorada da internet.

Benefícios de se ter um animal de estimação

Enquanto nós humanos demonstramos nosso amor das mais variadas formas, como mencionados alguns exemplos acima, os pets também demonstram seus afetos e ainda mais, trazem uma série de benefícios para a gente.

Esses benefícios são comprovados, tanto que existem animais terapeutas que ajudam na recuperação de pessoas enfermas. Devido a seu carinho puro e sincero, os animais transmitem a sensação de bem-estar para as pessoas.

Quem se sente sozinho (a) quando tem um pet? E quantos momentos de alegria ao longo do dia o pet nos transmite?

De acordo com o site Psicologia e Terapia, existem diversos benefícios para a saúde mental quando se tem um animal de estimação:

  • Não sentimos solidão: os pets são excelentes companhias. Eles fazem questão de nos acompanhar até mesmo no banheiro, não é verdade? ? Por isso não nos sentimos só, e ainda nos sentimos mais seguros (as) quando estamos com eles;
  • Melhoramos nossa autoestima: os animais de estimação estimulam o sistema límbico do nosso cérebro, que é ligado às emoções, e a nossa relação de carinho com eles estimula a nossa autoestima;
  • Reduz estresse e depressão: já foi comprovado que passar um tempo com o animal de estimação equivale a um tratamento à base de remédios. Isto porque, a troca de carinho age diretamente no nosso humor, amenizando os efeitos da depressão, ansiedade e estresse;
  • Motiva e enriquece a vida social: quando temos um bichinho, principalmente um cachorro, buscamos sempre sair para passear ou fazer coisas diferentes com ele. Com isso, a nossa vida social é enriquecida, porque nos tornamos pessoas mais comunicativas e sociáveis, e nesses passeios podemos fazer novas amizades;
  • Desenvolve senso de responsabilidade: como os pets são dependentes de seus (suas) tutores (as), o senso de responsabilidade só tende a crescer, porque você precisa se atentar a todas as necessidades do bichinho e supri-las. Esse compromisso é muito saudável para pessoas com depressão e com problemas de disciplina.
  • Proporciona felicidade: já foi comprovado cientificamente que o convívio com animais de estimação aumenta os níveis de oxitocina que estimula a produção de serotonina e dopamina, e todas essas químicas cerebrais estimulam a felicidade. Realmente, não tem como ficar triste perto de um bichinho, né?

Veja no vídeo abaixo mais benefícios de ter um pet para a saúde mental:

Um outro ponto sobre benefícios é em relação ao convívio de crianças e pets.

O assunto causa controversa quando as famílias não sabem lidar com bebês e animais de estimação. Infelizmente, muitas passam a rejeitar o bichinho depois do nascimento de uma criança, o que não passa de um completo erro.

Os animais fazem muito bem para o desenvolvimento infantil e isso já foi comprovado. Em vez de excluir o pet, o ideal é criar um laço fraterno dele com o bebê, o que com certeza renderá uma amizade pura, sincera e sem igual. Além disso, crianças que convivem com pets desenvolvem maior imunidade contra alergias.

Um ótimo exemplo disso é o Bruce e a Liz, os filhos da Camila e do Pablo do Apartamento 21. Os dois criaram uma ligação desde quando a Liz estava na barriga e esse elo só tende a crescer.

De fato, ter um animalzinho é tudo de bom. Até mesmo quando eles aprontam, eles conseguem nos arrancar boas risadas. E é nosso dever proporcionar a eles uma vida digna e boa.

Qualidade de vida para pets

Nem só de mimos, eventos e passeios vivem os pets, né? Tudo isso é maravilhoso, mas o imprescindível mesmo é proporcionar a eles uma vida saudável. Confira algumas dicas fundamentais do que fazer:

  • Vacinações em dia e veterinário: é de extrema importância que os pets sejam vacinados desde filhotinhos, assim como os bebês, e ao longo de toda vida para se protegerem de uma série de doenças. Além disso, idas regulares ao veterinário também são essenciais, pelo menos uma vez ao ano ou sempre que o pet demonstrar que não está bem. Hoje em dia, existem diversos convênios de saúde para pets que podem ser ideias para o seu;
  • Boa alimentação: existe uma série de rações no mercado, da mais simples a versões premium. O importante é que você alimente o seu pet com comida de qualidade e você pode tirar dúvidas quanto a isso com o (a) veterinário (a). Muitos (as) tutores (as) são adeptos da alimentação natural para cães e gatos, inclusive temos um artigo completo a respeito de AN aqui, onde você vai encontrar os benefícios e os três tipos que tem: alimentação natural cozida, crua com ossos e a crua sem ossos. Vale muito a pena conferir! Ah! Oferecer água fresca também é muito importante e de preferência filtrada, para evitar problemas. Se água da torneira não é boa para nós, por que seria para eles?
  • Cuidado com parasitas: a prevenção e tratamento de parasitas é indispensável e de suma importância para o bem-estar do seu bichinho. Pulgas, carrapatos, flebótomo (causador da leishmaniose) devem ser prevenidos com produtos adequados, e quando contraídos, tratados da maneira correta com orientação veterinária;
  • Higiene: tanto o pet quanto o local em que ele fica devem ser mantidos limpos, com banhos e limpezas frequentes e também com uso de produtos adequados, que não prejudiquem a saúde do animal;
  • Passeios: cachorros necessitam de passeios para viverem bem e felizes, portanto, é fundamental sair com eles pelo menos uma vez ao dia;
  • Atenção e carinho: um (a) tutor (a) responsável dá atenção ao seu pet dedicando um tempo para brincar com ele, fazer carinho e companhia. São atitudes necessárias para a felicidade do animal de estimação que, por consequência, reflete em uma vida mais saudável.

Contudo, apesar de todo o cuidado que pudermos tomar, sabemos que eles vivem poucos anos em relação a nós humanos e quando a despedida chega, ficamos com nossos corações partidos e muitas vezes sem saber o que fazer.

Quando um animal de estimação morre

Este é um assunto que ninguém que tem pet gosta de pensar. Mesmo quando já estão velhinhos, eles continuam sendo nossos bebês e imaginar a vida sem eles é muito doloroso. Porém, esse momento chega como o ciclo natural da vida, e precisamos saber como reagir quando um animal de estimação morre.

Antigamente, não era comum encontrarmos um serviço funerário que oferecesse uma despedida digna àquele membro da família. Tudo era muito insensível e isso podia tornar o processo ainda mais difícil.

Hoje, porém, como eles são membros da família, já existem diversos serviços funerários particulares que ajudam a minimizar o peso da despedida, oferecendo velório, enterro ou cremação.

Posso enterrar meu animal de estimação?

Muitas pessoas não sabem que enterrar animais é proibido, seja no quintal da própria casa ou em terrenos baldios, por exemplo. Isto porque a prática causa danos à saúde, tanto de outros animais como de humanos.

O processo de decomposição do animal morto pode contaminar o solo e os lençóis freáticos. Em casos de mortes por alguma doença, podem acabar na transmissão da mesma, como a raiva, toxoplasmose, leptospirose, entre outras.

Portanto, enterrar um animal é proibido e considerado como crime ambiental, com pena de multa entre R$500 e R$13 mil reais.

Segundo pesquisa do Instituto de Geociências da USP, a maioria dos animais mortos ainda é enterrada pelos próprios donos. Dos que não o fazem, 7% colocam o corpo em sacos de lixo e depositam em calçadas ou caçambas, 20% jogam o corpo nas ruas e 13% levam o corpo ao veterinário.

Vale lembrar que as clínicas veterinárias descartam o corpo do animal corretamente, porém, eles são destinados a incineração.

O último adeus

Como não se deve enterrar um animal, você deve recorrer aos serviços funerários. Com as opções disponíveis no mercado, também existem diferentes tipos de despedida para o animalzinho.

Alguns locais oferecem o recolhimento do corpo e uma cerimônia de homenagem e despedida, como um velório. Há cemitérios de animais, com solo adequado para enterro em que você pode optar pelo sepultamento do pet. E também tem a opção de cremar.

Existem as cremações individuais, que permitem que os donos fiquem com as cinzas, e as cremações coletivas que não dão essa opção.

A Prefeitura de São Paulo oferece cremação de animais gratuita. Após o óbito, os tutores podem ligar para o número 156, para chamar a Autoridade Municipal de Limpeza Urbana, que é responsável pelo recolhimento de animais mortos.

Também existe a opção do tutor responsável levar o corpo do bichinho até o local adequado, saiba como clicando aqui.

Quando a cremação for feita pela prefeitura, não é possível levar as cinzas do animal.

A Nathália Lima e sua família optaram pela cremação quando o seu cachorrinho Tchuki partiu:

Como a maioria das pessoas, aqui em casa pet é parte da família, né? Durante todo o tempo que convivemos, eles são tratados assim, desde os passeios, dormidinhas no quarto, festinhas de aniversários e todo nosso dia a dia. Na hora da partida, acho que não teria porque ser diferente… Simbolicamente, cerimônias como enterro, são rituais de passagem e aqui entendemos que é a última homenagem àqueles que, mais do que muita gente, trouxeram alegria pra casa. Por isso escolhemos que na hora da morte, que eles fossem tratados como em vida, sendo parte da família.”

Nathalia explica como foi o procedimento: “Optamos por um ritual mais rápido porque as condições foram desfavoráveis. Meu pai, que era muito apegado, estava viajando quando aconteceu, então utilizaram a criogenia para manter o corpinho até que ele chegasse. Por esse motivo, tivemos que fazer a cerimônia um pouco mais rápida e em seguida, cremamos. Quando eles trouxeram as cinzas, podíamos optar por colocar em um pingente para colar, ou enfeite de mesa, mas optamos por pegar as cinzas e espalhar por um campo onde ele sempre corria com outros doguinhos… É como se ele continuasse fazendo parte daquilo.

Diferença entre cremação e incineração para pets

Algumas pessoas podem achar que incineração e cremação são a mesma coisa, mas existe uma diferença entre esses dois processos. É importante conhecer para não cair em nenhuma proposta enganosa na hora de se despedir do seu animalzinho.

Apesar de terem procedimentos semelhantes, que transformam o corpo em cinzas, existe diferença entre cremar ou incinerar o seu pet. Veja quais são:

  • Cremação: o processo de cremação é feito em um forno específico apenas com o corpo do animal quando feita individualmente, ou junto com outros animais, quando coletiva. Mas não há interferência de nenhum outro elemento. Por isso, quando a cremação é individual, você pode levar as cinzas em uma urna para casa, usá-la como adubo para plantas, guardar em alguma espécie de pingente, entre outras formas.
  • Incineração: a incineração é um processo em que, tanto o corpo do animal quanto outros dejetos são queimados. Desta forma, se misturam as cinzas do seu pet com todos os outros materiais que foram colocados na mesma fornada, e você não pode levar as cinzas.

Quando um animal morre, segundo o espiritismo

De acordo com a doutrina espírita, os animais possuem alma e ela passa por processos diferentes de evolução quando comparada com a alma humana. Os animais evoluem através da força da natureza, por situações alheias as suas vontades. Chico Xavier disse que, quando tratados com amor, os animais podem permanecer até 4 anos ao lado de seus donos, após o desencarne.

No vídeo abaixo da Fran te Explica, ela conta a visão espírita sobre a morte dos animais:

Luto por um animal

Quando um animal de estimação morre, leva com ele uma parte da alegria da casa, a companhia diária e todos os costumes que construímos juntos. Precisamos nos acostumar com o silêncio e o vazio, e reorganizar nossas rotinas.

Por isso, o luto por um animal é real e não deve ser subestimado. Quando um pet morre, é comum que outras pessoas julguem a tristeza de quem o perdeu com frases como “era só um cachorro”, por exemplo.

De acordo com uma pesquisa feita pelo Canadian Veterinary Journal, 50% das pessoas que já perderam um animalzinho afirmam que o processo de luto não é aceito pela sociedade. Essa falta de empatia geralmente vem de pessoas que não tem um animal de estimação, por isso menosprezam o vínculo afetivo e familiar que criamos com eles.

Diante disso, muitas pessoas reprimem seus sentimentos, disfarçam o luto e até mesmo sentem vergonha dele. Contudo, o luto por um animal de estimação deve ser vivido como um sentimento digno, pelo tempo que for necessário a cada um (a).

Se em vida consideremos nossos pets como filhos, como passamos a minimizar isso após a partida deles?

É importante se atentar aos sentimentos e em casos de necessidade, buscar ajuda profissional de um psicólogo. Inclusive, existem também grupos de apoio a quem perdeu um animal, uma outra forma de ajudar a superar esse momento difícil.

O Instituto Vincular-se conta com o Grupo de apoio para enlutados pela perda de um animal de estimação e o Espaço Joelma Ruiz também oferece esse suporte.

Também existem livros que podem ser muito úteis para crianças e adultos:

Meu animalzinho morreu

Quando seu animal de estimação morre

Meu gato, meu cão: o adeus

Todos ajudam a passar pelo luto de forma positiva e natural.

Não é aconselhável que durante esse processo de tristeza e nova realidade, um novo animal seja ingressado na família. Muitas vezes, este novo pet sofre uma carga de expectativas para que seja igual ao animalzinho que morreu, recebendo até o mesmo nome, e isso não é saudável.

Assim como os humanos, os animais são seres insubstituíveis, de personalidade única. Portanto, é preciso viver o período de luto dando tempo a você, permitindo que todas as emoções sejam sentidas.

Veja o vídeo abaixo sobre a perda afetiva dos animais de estimação:

Uma boa prática durante esse processo é doar os pertences do animalzinho que faleceu, como roupinhas, caminha, ração e brinquedos para ONGs, ajudando assim animais que precisam. Apesar de triste, a sensação também será reconfortante.

Recomeço

Muitas pessoas depois que perdem um pet, ficam com receio de ter outro, justificando que não querem sofrer outra vez.

Contudo, após superar o luto pelo animal que morreu, vale a pena dar uma nova chance de viver a alegria que só eles podem nos proporcionar. É bom para a família que vai ganhar um novo membro, e para o pet que vai ganhar uma família.

Enquanto esse momento não chega, ajudar ONGs e/ou apadrinhar um bichinho pode ser uma ótima ideia. Você não assume nenhuma responsabilidade definitiva, mas continua fazendo bem aos pets que precisam.

Só quem tem um animal de estimação sabe o quão maravilhoso é poder partilhar a vida com eles. O quão valiosos são cada momento, e apesar de viverem muito menos do que gostaríamos, nenhuma tristeza apaga a soma de felicidades.

Por fim, compartilha com a gente como é a sua relação com o seu pet? E também compartilhe este post com todos os pais e mães de pet que você conhece, essas informações podem ser valiosas para eles e elas.