Sabe aquela pessoa que, aparentemente sem fazer muito esforço, atrai todos os olhares? Bem, se essa pessoa fosse uma marca de roupas, certamente seria a Supreme. Criada em 1994 em Nova York, a marca nasceu como uma loja voltada para sktatistas. Mas, graças à visão de seu fundador, James Jebbia, a Supreme se tornou ao longo dos anos um nome de peso na moda, com forte impacto na cultura underground.

A chegada da Supreme ao mainstream

A consagração maior para a Supreme aconteceu este ano, quando a Louis Vuitton, símbolo do luxo e do mainstream, anunciou uma parceria com a marca.

Roupas da colaboração entre Supreme e Louis Vuitton

O resultado foi uma coleção que misturou o centenário monograma da Vuitton com a logo da Supreme, que apesar de ter apenas 23 anos, já se tornou um nomes dos mais reconhecidos da moda global.

O encontro entre arte, música e moda

O logotipo mais famoso da Supreme — que aparece sem cerimônia em seus produtos — mostra como a marca de Jebbia fez do uso de referências culturais parte de seu DNA. A identidade visual vermelha e branca é inspirada no trabalho da artista plástica Barbara Kruger.

A americana é conhecida por suas colagens contestadoras, que se apropriam da linguagem da propaganda para discutir as construções sociais de gênero, sexualidade e identidade. Já outra logo famosa da Supreme faz referência ao estilista André Courrèges, que fez sucesso especial nos anos 60 com sua moda visionária e modernista.

Obra da artista plástica Barbara Kruger

A relação com o mundo da arte pode ser percebida também nas pranchas de skate produzidas pela marca. Os trabalhos de Jeff Koons e Damien Hirst já foram usados nos modelos da Supreme. Além disso, gente como David Lynch, Robert Crumb e Takashi Murakami já assinaram colaborações.

As camisetas são outro caso à parte: a equipe por trás da marca tradicionalmente escolhe algumas de suas celebridades favoritas para ilustrarem suas t-shirts. A lista de quem topou participar impressiona, tanto pela relevância quanto pelo ecletismo do grupo: Lou Reed, Kate Moss, Neil Young, Morrissey, Raekwon, Mike Tyson e… Kermit, o sapo dos Muppets.

Camiseta de Neil Young para Supreme

Em entrevista recente à “Vogue“, Jebbia explicou que é mesmo essa miscelânea de referências que explica o sucesso e, mais do que isso, o irresistível apelo “cool” da Supreme:

As roupas que nós fazemos são meio que nem música. Sempre há críticos que não entendem que pessoas jovens podem gostar de Bob Dylan mas ao mesmo tempo de Wu-Tang Clan, Coltrane e Social Distortion. Jovens – e skatistas – têm a cabeça muito, muito aberta… para música, para arte, para várias coisas, e isso nos permite fazer as coisas com a mente aberta.

Sucesso nunca é demais?

Agora, a Supreme parece que só tem a temer o seu próprio sucesso. A colaboração da Vuitton garantiu o crescimento do lucro da LVMH, o conglomerado que controla a maison francesa. Mas a Supreme receia ficar popular demais para o seu próprio gosto. Jebbia já deixou bem claro que não gosta de superexposição da marca e evita investir em publicidade. As notícias recentes sobre a Supreme, no entanto, provam que fugir da saturação vai ser difícil: os itens da parceria da Vuitton são disputados por valores superiores aos preços originais em sites de revenda. E em um caso bizarro, um adolescente bilionário de 15 anos resolveu cobrir sua Ferrari com a estampa da marca. Agora, resta saber até onde vão os limites do hype.

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